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VITÓRIA PROGRESSIVA

 John Jefferson Davis no seu livro A VITÓRIA DO REINO DE CRISTO (Editora Moner-gismo) procura mostrar que o Reino de Cristo é e sempre será vitorioso, apesar do mal pre-sente no mundo e de toda oposição.
Logo no prefácio o autor faz votos (p.14) para que “os leitores diretamente envolvidos no trabalho missionário e evangelístico da Igreja possam ser re-encorajados para os seus labo-res a partir da visão bíblica do Cristo vitorioso e reinante a mão direita do Pai”.
O autor divide o livro em seis capítulos.

Na introdução (capítulo 1) o autor procura mostrar que a escatologia não se resume a uma especulação inútil sobre o estabelecimento de datas. Não se trata de um estudo isolado, mas de uma compreensão abrangente e integrada dos propósitos soberanos de Deus para a His-tória. A escatologia bíblia está atrelada a Cristologia.
O pós-milenismo é definido como aquela perspectiva otimista de que antes (e não depois) do advento de Cristo haverá um tempo da benção do milênio. Nesse período o Cristo vito-rioso, assentado a direita do Pai Todo-Poderoso, enviará mais do seu Espírito Santo (aviva-mento) para abençoar de forma dramática a proclamação da palavra de Deus, quando então haverá um avanço vitorioso da Igreja. Esse avanço impactará e influenciará o mundo duran-te esse período.
Esse tempo será caracterizado também pela conversão em massa de judeus (Rm 11.25, 26). Já no final do milênio haverá um período de apostasia e conflito entre os cristãos e as forças do mal (Ap 20.7-10). Finalmente e de forma simultânea, ocorrerá o retorno visível de Cristo, a ressurreição dos justos e ímpios, o julgamento final e a revelação dos Novos Céus e Nova Terra.

O pós-milenismo, segundo o autor, não deve ser confundido com: (i) o otimismo evolucio-nista; (ii) o liberalismo ou “evangelho social”; (iii) universalismo; ou a teoria do (iv) destino manifesto que vê os EUA como a chave para ampliar o reino de Deus no mundo.

Grandes vozes do passado defenderam essa perspectiva escatológica, dentre eles, o próprio João Calvino, Jonathan Edward´s, John Owen, Hodge, Warfield, dentre outros, além de Confissões de fé com a de Savoy dos congregacionais.

No capítulo 2, vários testemunhos dos AT são apresentados para corroborar a perspectiva otimista da natureza expansiva do reino de Deus.
A começar pelo pacto Abraâmico, no qual Deus revela seu propósito de trazer benção a to-das as famílias da terra. Ao patriarca é prometido descendentes espirituais incontáveis como as estrelas do céu (Gn 12.3; Gn 15.5,6 e Gn 22.17). Essa promessa que será concretizada por meio do Messias que trará essas bênçãos para a História. Nos salmos 2, 22, 72 e 110, o Messias de Deus é descrito como um grande rei que governa um vasto reino que transcende as fronteiras de Israel. Esse reino é também predito pelo profeta Isaias (2.2-4; 9.6-7) em textos que falam da glória dos últimos dias da Igreja e do crescente reino do novo Rei da-vídico que é Cristo, cujo cumprimento foi iniciado com a ascensão de Cristo à mão direita do Pai (At 2.30, 31, 33-35). O rio da visão de Ezequiel saindo do templo, trazendo vida por onde passa, é entendido como o grande derramamento do Espírito, iniciado em pentecoste, mas não restrito aquele evento (Ez 47.1-12; Jo 7.37-39). A visão de Daniel da misteriosa pedra do céu que golpeia a grande estátua e se torna uma grande montanha enchendo toda a terra (Dn 2.31-35), retratando o vitorioso reino de Jesus Cristo que prevalece sobre toda a oposição. A visão de Daniel do Ancião de Dias, que descreve a recepção do Cristo ascen-dido ao céu e seu reinado universal à mão direita de Deus (Dn 7.13, 14).
Todos esses textos, a começar pelo pacto com Abraão aponta para a grande Comissão do NT (Mt 28.19, 20), em que a Igreja em sua missão aparece como o instrumento de Cristo para o avanço do seu reino sobre as nações.

O capítulo 3 analisa vários textos do Novo Testamento, iniciando por aqueles que apontam para a grandeza de Cristo, o grande Rei (Mt 28.18, Ef 1.19-23), atestando sua autoridade ilimitada e disponível à Igreja em sua missão.
Em seguida, são apresentados textos que destacam o crescimento do reino (Mt 12.31-33). Lembra que as armas disponíveis a Igreja são poderosas para a destruição das fortalezas (2 Co 10.3-5). Em 1 Co 15.22-26, Cristo aparece como aquele que subjuga ativamente seus inimigos enquanto reina a direita de Deus Pai.
A grandeza final do reino é predita ainda em Apocalipse 7.9, 10, em que o número de sal-vos não se pode contar.
O autor ainda nos lembra da conversão massiva de judeus nos últimos tempo (Rm 11.25, 26) e do retrato grandioso da Nova Jerusalém com aproximadamente 4.840.000 quilômetros quadrados, uma imagem poderosa dos propósitos salvadores de Deus (Ap 21.15, 16).

O capítulo 4 nos mostra como foi o crescimento da Igreja na História, a começar pela con-quista do Império Romano e crescimento extraordinário em várias partes do mundo, o que é visto ainda hoje.

No capítulo 5 o autor faz uma análise do capítulo 20.4-6 de Apocalipse, comparando as perspectivas mais pessimistas, no caso o pré-milenismo e amilenismo com a visão bíblica pós-milenista. O aprisionamento de satanás é visto como algo futuro, embora o autor não negue que a atividade de Satanás já tem sido limitada no presente tempo como afirmam os amilenistas, contudo, aduz que haverá um tempo de restrição completa das atividades de Satanás. O milênio não é entendido como mil anos literal, mas como um longo período de prosperidade espiritual. Confesso que tive dificuldade de entender a explicação sobre a res-surreição no texto. Acho que o autor poderia ter se debruçado mais para o explicar o ponto. Na minha opinião esse é o ponto mais fraco do livro.

O capítulo 6 considera vários textos que parece refutar a perspectiva otimista, dentre eles, aqueles que falam de uma volta iminente, de uma “grande tribulação” e textos aparentemen-te não otimistas em relação ao crescimento da igreja.
No capítulo 7 o autor demonstra que grande parte da abordagem escatológica da Igreja se dá mais em função das condições mundiais vividas em um determinado momento do que de uma fundamentação e exegese séria da Palavra de Deus. Será que a nossa expectativa do crescimento do reino de Cristo depende de como está o mundo?

Em geral o livro é muito bem fundamentado apesar de conciso. Um ótimo livro para quem deseja entender os argumentos apresentados pelos teólogos desta perspectiva.

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