Por que qualquer divergência que tenhamos em relação a um posicionamento hoje é visto como preconceito?
É exatamente com aqueles que se autodenominam “tolerantes” que vemos o que há de mais rígido em matéria de extremismo e de intolerância. Os mesmos que pregam a tolerância e advogam vivermos numa sociedade pluralista, são tão intolerantes quantos aqueles que acusam.
Temos visto nos últimos anos no Brasil uma tentativa de impor uma mordaça naqueles grupos que insistem em defender posições mais conservadoras, principalmente, no que se diz respeito à fé e a moral.
Ora, não precisamos ser “gênios” para perceber que sempre houve e sempre haverá divergências numa sociedade; visto que essa é uma mão de duas vias, a experiência nos prova que quando um grupo afirma o outro nega.
Tentar impedir um indivíduo de externar suas opiniões ou de exercer o seu direito de discordar, é trazer de volta para história à ditadura, é impor a tirania, é fazer do individuo um autômato, uma marionete.
Segundo o renomado doutrinador de Ciência Política DALMO DE ABREU DALLARI:
“todo homem é um ser racional, dotado de inteligência e de vontade, sendo todos igualmente capazes de proferir julgamentos sobre os fatos que presenciam e que afetam seus interesses. E como esses julgamentos sempre deverão variar, em função dos pontos de vista de que os profira, verifica-se que é inerente a convivência humana o direito de divergir, e que a todos deve ser assegurado esse direito.”
Quando falamos sobre o direito de discordar, falamos sobre manter as divergências em um nível alto e não pessoal. Podemos discordar em amor, com respeito. Devemos amar e respeitar as pessoas, mesmo que não concordemos com os seus posicionamentos.
Concordo plenamente, em gênero, em número e em grau com afirmação feita pelo Cientista Político Robinson Cavalcanti em um de seus artigos intitulado “Estado Laico, Nação Religiosa”:
“os avanços práticos do princípio da isonomia e da dignidade da pessoa não podem, nem devem incorrer em riscos de tiranias, nem de maiorias sobre minorias, nem de minorias sobre maiorias. Os povos têm uma história, uma cultura e costumes, este último também uma fonte de direito. Conceitos e preceitos não são preconceitos” (Robinson Cavalcanti).
Não há como existir sem valorar aquilo que está em nossa volta, afinal viver é pensar e pensar é viver...
Aldair Ramos Rios


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