RESUMO DA CARTILHA SOBRE O PÓS-MILENISMO
Aldair Ramos Rios
GENTRY JR, Kenneth L. Cartilha sobre o Pós-Milenismo, Revista Cristã Última Chamada. – Londrina: Paraná, 2017.
Kenneth L. Gentry Jr, é Th.D, pastor da Reformed Presbyterian Church, escritor, palestrante e conferencista conservador reformado. Obteve seu título de Mestre em Divindade (M.Div) no Reformed Theological Seminary, Mestre (Th.M) e Doutor em Teologia (TH.D), no Withefield Theological Seminary.
Nessa pequena Cartilha, o autor traz noções básicas sobre a perspectiva pós-milenista em cinco partes.
Na primeira parte o autor mostra que tanto o pós-milenismo quanto o amilenismo entendem que Cristo voltará após o milênio e que esse período de “mil anos/não literal” compreende a era atual da igreja.
Aduz que, considerando que o “reinado de mil anos” aparece numa única passagem e no livro mais simbólico da Bíblia, o capítulo 20 de apocalipse sozinho não pode ser tido como um texto-chave para a discussão escatológica, devendo esta ser buscada em toda a Escritura, ou seja, em outros lugares da Bíblia.
Arrazoa ainda que o apocalipse está ligado a eventos do primeiro século. Por exemplo: (i) Apocalipse 1.1,3 e 22, 6, 10 são declarações que mostram que as coisas ali escritas iriam acontecer num prazo curto de tempo; (ii) Apocalipse 20, trata dos mártires do primeiro século que foram mortos por causa de seu compromisso com a palavra, tal como vemos na passagem paralela no capítulo 6.9-10.
Na parte 2, Gentry nos explica no que consiste o pós-milenismo. A palavra-chave desta perspectiva não é tanto o “Milênio”, mas o “reino” (ISSO É IMPORTANTE).
O reino messiânico profetizado no AT e estabelecido em Cristo (no qual estamos agora), confrontou e derrotou a Satanás, que a partir deste momento ficou obrigado a não enganar mais as nações, deixando as portas abertas para a poder do Evangelho (Lc 17.20-21; Cl 1.13, Mt 12.28-29, Ap 20.3).
A marcha de crescimento do reino acontece por meio da grande comissão, a qual é fundamentada na autoridade plena de Jesus. Trata-se de uma “comissão grande” pois engloba o fazer discípulos de todas as nações, sob a promessa da sua presença toda poderosa “todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28.18-20).
O próprio Cristo comparou o crescimento de seu reino com a semente de mostarda que começa pequena, mas se torna numa grande árvore que domina todo o jardim e o fermento que cresce e domina todo o alqueire (Mt 1331-33). Esse crescimento do reino conse-quentemente beneficiará as nações, trazendo um tempo de progresso (Is 11.9; Jo 3.17).
No final desse tempo, Cristo voltará, os mortos ressuscitarão, haverá o julgamento final e será estabelecida a ordem consumada do Novo céu e Nova terra.
Na parte 3, o autor começa dizendo que poderia se debruçar sobre vários textos, poderia tratar da relação do Salmo 2.8 e Mateus 28.18-29 ou do Salmo 22.27 e do Salmo 110.1, porém, prefere se restringir ao texto de Isaias 2.2-4, no qual o profeta identifica o seu cumprimento nos “últimos dias”, entendido como, o período que se estende do primeiro século até o último dia (Jo 6.39, 40, 44, 54; At 2.16-17a; 1Co 10.11; Hb 1.1, 2a), ou seja, cobre toda a extensão da era atual, a era da Nova aliança.
Ao identificar o período de cumprimento da profecia, assevera Gentry, fica claro que ela não acontecerá no estado eterno, mas antes. Esta profecia espera que algo grandioso aconteça, o texto faz alusão a casa do Senhor sendo estabelecida, para a qual concorrerá todas as nações. Sabemos a luz do Novo Testamento que essa é uma referência a Igreja, o corpo de Cristo (Ef 2.21-22; 1 Pe 2.5ª; 1 Co 3.16; 6.19; 2 Co 6.16, ver tb Hb 12.22,28).
Com base nela, o pós-milenista acredita que a Igreja de Cristo será exaltada e se tornará um influência principal no mundo durante o curso “dos últimos dias”.
O modo da vitória será o esforço evangelístico e discipulador, conforme as partes “b e c” do verso 3 do capítulo em questão, apontando assim para o sucesso da grande comissão de Cristo (Mt 28.19-20b), o qual impactará as nações.
Na parte 4 o autor nos leva para o NT. Nos lembra o anúncio de Marcos 1.15 que diz que “o tempo estava cumprido”. Também rememora que a expulsão de demônios, nos termos de Mateus 12.2, confirmava chegada do reino de Deus.
Não por acaso os cristãos foram acusados de pregar outro rei (At 17.7). Em Colossenses 1.13 lemos que fomos tirados do império das trevas e transportados “para o reino” do Filho. Em Apocalipse 1.6, João nos diz que “Ele nos fez reino e sacerdotes”.
Outro texto importante para essa perspectiva é a declaração de Jesus no Evangelho de João (12,31-32). Esse texto ensina o destronamento de Satanás e a entronização de Cristo sobre os homens.
O autor nos lembra que antes da vinda e da vitória de Cristo, as nações do mundo, exceto o pequeno Israel, estava em completa escuridão debaixo do domínio de Satanás (Sl 147.19-20; Am 3,2a; Lc 4.5,6).
Mas agora a sombra da cruz, Jesus diz que é chegado o juízo do mundo e a expulsão de Satanás. A vitória de Cristo é vista em textos como (Mt 12.28-29; Cl 2.15; Hb 2.14; 1 Jo 3.8) e naqueles que tratam da influência reduzida de Satanás, a qual os crentes podem resistir (Ef 6.17; Rm 16.20; Tg 4.7, 1Pe 5,8-9a).
A derrota de Satanás significa sua perda de domínio sobre as nações e a entronização de Cristo, o qual atrairá todos a si (Jo 12.32b). O Cristo levantado na cruz atraíra para si não apenas os judeus, mas os gentios de todas as nações. Passagens como essa, associadas a Daniel 2.45 e Ezequiel 47.1 apontam para o crescimento extraordinário do reino de Cristo.
A quinta parte, analisa a declaração paulina em 1 Co 15.20-27 que ensina a vitória do reino de Cristo na era atual, o verso 24 – defende o autor- refuta o amilenismo mostrando que Cristo subjugará seus inimigos antes de entregar o reino ao seu Pai. Ele reinará até colocar todos os inimigos finalmente debaixo de seus pés.
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