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A IGREJA COMO COLUNA E FUNDAMENTO DA VERDADE


Embora encontremos na Bíblia todo o conhecimento de Deus necessários a salvação, Herman Bavinck acerta ao afirmar que não encontramos nela formulações dogmáticas. A Escritura, segundo defende, “é uma mina de ouro” cuja responsabilidade de extrair o ouro, colocar a sua estampa e o convertê-lo em dinheiro circulante é da Igreja[1]. No mesmo sentido, Fernando Angelim vai dizer que “a Bíblia não é um livro de Teologia Sistemática em que as doutrinas já estão separadas por tópicos, a dogmática é que tem essa tarefa”[2]. 

Isso significa dizer que é da Igreja a responsabilidade de apresentar de forma temática e organizada as doutrinas consignadas nas Sagradas Escrituras. 

Não é por acaso que a Igreja é chamada por Paulo de "coluna e fundamento da verdade" (1 Tim. 3:15).  Com essa expressão, segundo João Calvino, Paulo quis dizer que através do ministério da Igreja:

[...] a verdade é preservada e difundida. [...] não é a Igreja a mãe de todos os crentes, visto que ela os conduz ao novo nascimento pela palavra de Deus, educa e nutre toda a sua vida, os fortalece e finalmente os guia à plenitude de sua perfeição? A Igreja é chamada coluna da verdade [...] pois o ofício de ministrar a doutrina que Deus pôs em suas mãos é o único meio para a preservação da verdade [3]

 Calvino entende que a Igreja aprende do Espirito Santo (Magistério Supremo) através das Escrituras que é a Escola do Espírito (Jo 16.13). E tudo o que a Igreja aprende do Espírito[4] na Sagrada Escritura ela preserva e difunde aos seus filhos pelo ministério de Ensino. 

Trueman enfatiza que a Bíblia é bem clara quanto ao papel e autoridade da Igreja em passar a verdade de uma geração a outra por meio de estruturas de poder estabelecidas. Para ele, a Igreja através de seus oficiais tem a responsabilidade de manter e transmitir a Tradição Apostólica[5].


[1]BAVINCK, Herman apud ANGELIM, Fernando. Teologia Bíblicas Batista Reformada: uma introdução baseada na confissão de fé de 1689. Francisco Morato: O Estandarte de Cristo, 2020, p.176.

[2]ANGELIM, Fernando. Teologia Bíblicas Batista Reformada: uma introdução baseada na confissão de fé de 1689. Francisco Morato: O Estandarte de Cristo, 2020, p.177. 

[3/4]CALVINO, João. Pastorais-Série de Comentários Bíblicos.1ª Ed. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2009, p,95,96. 

[5] TRUEMAN, Carl R. O imperativo Confessional. Brasília, DF: Editora Monergismo, 2012, p.91-99.


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