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A ascensão de Cristo e a nossa





“Fiz o meu primeiro relato, ò Teófilo, a respeito de todas as coisas que Jesus fez e ensinou desde o começo, até o dia que foi arrebatado ao céu, depois de ter dado instruções aos apóstolos que escolhera (...)
(...), foi elevado à vista deles, e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.” Atos 1.1,2-9”

A ascensão de Cristo é uma doutrina essencial, mas um pouco esquecida.
No Livro de Atos, São Lucas escrevendo a Teófilo, cuidou de apresentar os fatos mais importantes sobre Jesus, e dentre eles a sua ascensão aos céus em glória.
“Jesus subiu aos céus com um corpo físico e essa informação é importantíssima (já que é negada por muitos)”
Nos evangelhos, Lucas e Marcos narram de que forma o evento ocorreu:

 “Tendo-os levado até as proximidades de Betânia(referência aos apóstolos), Jesus levantou as mãos e os abençoou.
Estando ainda a abençoá-los, ele os deixou e foi elevado ao céu.
Então eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria.
E permaneciam constantemente no templo, louvando a Deus.
Lucas 24:50-53”

“Depois de lhes ter falado, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e assentou-se à direita de Deus.
Então, os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam.
Marcos 16:19,20”

Outra informação que o texto bíblico (Atos 1:1-11) nos dá é acerca do local em que o evento histórico aconteceu:
Lucas afirma que o evento aconteceu “nas proximidades de Betânia”, no livro de Atos fica mais claro que o local teria sido o “Monte das Oliveiras” (Atos 1:12).

A ascensão nos credos

A ascensão de Jesus é professada nos credos antigos do Cristianismo:

O Credo de Nicéia afirma que Cristo: subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim”.

O Credo apostólico ensina que Ele:subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos”


No protestantismo, os principais documentos confessionais ensinam:

“Depois de três dias no sepulcro, Jesus de Nazaré ressurgiu dos mortos com uma natureza humana transformada, mas ainda reconhecível. Seu corpo ressuscitado era capaz de transcender leis físicas naturais, mas ainda retinha suas propriedades físicas. Em sua ascensão, aquele corpo foi transformado para o estado celestial que Ele ainda possui e como foi recebido por Deus. (...)” (Declaração de Fé da Fraternidade Reformada Mundial)

“46.O que você confessa quando diz que Cristo ?subiu ao céu??
R.Que Cristo, à vista dos Seus discípulos, foi levado da terra ao céu,1 e que lá está para o nosso benefício2 até que venha novamente para julgar os vivos e os mortos.3        
1. Mc 16.19; Lc 24.50, 51; At 1.9-11. 2. Rm 8.34; Hb 4.14; 7.23-25; 9.24. 3. Mt 24.30; At 1.11.
47. Quer dizer, então, que Cristo não está conosco até a consumação dos séculos, conforme Ele nos havia prometido?
R. Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Segundo Sua natureza humana, Ele não está mais na terra,2 mas segundo a Sua natureza divindade, majestade, graça e Espírito, Ele jamais se ausentou de nós.3
1 Mt 28.20. 2. Mt 26.11; Jo 16.28; 17.11; At 3.19-21; Hb 8.4. 3. Mt 28.18-20; Jo 14.16-19; 16.13.
48. Mas, se a natureza humana não estiver presente onde quer que a natureza Divina esteja, não estariam as duas naturezas de Cristo separadas uma da outra?
R. De maneira nenhuma, pois a Sua Divindade é ilimitada e está presente em toda parte.1 Por isso, conclui-se que apesar da Sua natureza Divina ultrapassar a natureza humana que Ele assumiu, ela está dentro dessa natureza humana e a ela permanece unida como pessoa.2        
1. Jr 23.23, 24; At 7.48, 49. 2. Jo 1.14; 3.13; Cl 2.9.
(Catecismo de Heidelberg)

“Como foi Cristo exaltado na sua ascensão?
Cristo foi exaltado na sua ascensão em ter, depois da sua ressurreição, aparecido muitas vezes aos seus apóstolos e conversado com eles, falando-lhes das coisas pertencentes ao seu reino, impondo-lhes. o dever de pregarem o Evangelho a todos os povos, e em subir aos mais altos céus, no fim de quarenta dias, levando a nossa natureza e, como nosso Cabeça triunfante sobre os inimigos, para ali, à destra de Deus, receber dons para os homens, elevar os nossos afetos e aparelhar-nos um lugar onde Ele está e estará até à sua segunda vinda no fim do mundo.
At. 1:2-3; Mat. 28:19; Heb. 6:20: Ef. 4:8, 10; At. 1:9; Sal. 68:18; Col. 3:1, 2; João 14:2-3; At. 3:21.(Catecismo Maior de Westminster)

“Não duvidamos, de modo nenhum, que exatamente o mesmo corpo que nasceu da Virgem, foi crucificado, morto e sepultado, e que ele ressurgiu e subiu aos céus, para cumprimento de todas as coisas,1 onde em nosso nome e para a nossa consolação recebeu todo o poder no céu e na terra,2 onde ele está sentado, à destra do Pai, tendo sido coroado no seu reino, como o único advogado e mediador por nós;3 essa glória, honra e prerrogativa possuirá ele, só, entre os irmãos, até que todos os seus inimigos sejam feitos escabelo dos seus pés.4 Assim também cremos, sem dúvida alguma, que haverá um juízo final, para cuja execução o mesmo Senhor Jesus há de vir visivelmente, como foi visto subir.5 E cremos firmemente que virá então o tempo da recriação e restauração de todas as coisas,6 de modo que aqueles que desde o principio sofreram violência e afronta por causa da justiça, entrarão na posse da bendita imortalidade a eles prometida desde o princípio.7

Mas, por outro lado, os obstinados, os desobedientes, os cruéis, os perseguidores, os impuros, os idólatras e incrédulos de toda sorte serão lançados no cárcere das trevas exteriores, onde o seu verme não morrerá, nem seu fogo se apagará.8 A lembrança daquele dia e do juízo que nele será executado não é apenas freio para coibir nossos apetites carnais, mas também uma consolação tão grande e tão incomparável que nem a ameaça dos príncipes deste mundo, nem o medo da morte temporal e do perigo presente podem levar-nos a renunciar e abandonar aquela bendita sociedade que nós, os membros, temos com o Cabeça e nosso único Mediador, Jesus Cristo:9 a quem nós confessamos e reconhecemos ser o Messias prometido, o único Cabeça da Igreja, nosso justo Legislador, nosso único Sumo-Sacerdote, Advogado e Mediador,10 em cujas honras e funções, se homem ou anjo ousa intrometer-se, nós os detestamos e repudiamos completamente como blasfemos de nosso soberano e supremo Governador, Jesus Cristo.
1. Mc 16:9; Mt 28:6; Lc 24:51; At 1:9.
2. Mt 28:18.
3. 1Jo 2:1; 1Tm 2:5.
4. Sl 110:1; Mt 22:44; Mc 12:36; Lc 20:42-43.
5. At 1:8.
6. At 3:19.
7. Mt25:34. 2Tss 1:4-8.
8. Ap 21:27; Is 66:24; Mt 25:41; Mc 9:44, 46,48; Mt 22:13.
9. 2Pd 3:11; 2Co 5:9-11; Lc 21:27-28; Jo 14:1, etc.
10. Is 7:14; Ef 1:22; Cl 1:18; Hb 9:11,15; 10:21; 1Jo 2:1; 1Tm 2:5.
(Confissão de Fé Escocesa)


O que tudo isso tem a ver com a gente?

Cristo está no céu para o nosso benefício (Catecismo de heidelberg). De lá, à direita de Deus, ele intercede por nós (Romanos 8:34), como nosso Sumo Sacerdote ele se compadece de nossas fraquezas, razão pela qual podemos nos achegar com confiança junto ao Trono da graça (Hb 4.14; 7.23-25; 9.24.)

O Catecismo Maior de Westminster nos ensina que “somos abençoados” pela ascensão de Cristo ao céu, por três razões:

i.                   Ele é o nosso Advogado no céu diante do Pai.1
ii.                 Segundo: temos a nossa carne no céu como a garantia segura de que Ele, o nosso Cabeça, também nos levará para Si, como membros Seus.2
iii.               Terceiro: Ele nos enviou o Seu Espírito como garantia,3 pelo poder do qual buscamos as coisas do alto onde Cristo está assentado à direita de Deus  e não as que são da terra.4  
1.     Rm 8.34; 1Jo 2.1. 2. Jo 14.2; 17.24; Ef 2.4-6. 3. Jo 14.16; At 2.33; 2Co 1.21, 22; 5.5; Ef 1.13,14 4. Cl 3.1-4.


Aldair Ramos Rios





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