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Apendendo com Agostinho: Graça e Liberdade-II

A “Carta 195” do Livro a “Graça II” de Agostinho, publicado pela Editora Paulus, é endereçada ao abade e aos monges de Hadrumeto:

Nessa carta, Agostinho novamente combate os extremos, e afirma, que incorre no erro dos pelagianos “aquele que condiciona aos méritos humanos a concessão da graça de Deus”, ou seja, aquele que diz que a graça só pode ser recebida após o homem “fazer por merecer”.

O outro erro, segundo Agostinho, seria cometido por quem pensa que “quando o Senhor vier”, não será julgado o homem de acordo com as suas obras. Certamente, uma alusão, a aqueles que (Conforme a carta anterior 194), apregoavam de tal modo o sentido da graça, que chegavam a negar a responsabilidade humana, alegando inclusive que no dia do Juízo Deus não haveria de retribuir a cada um, conforme as suas obras (Mat. 16.27; Rom. 2.6).

Agostinho afirma que ninguém escapá, todos serão julgados, justos e injustos.

-“tribulação e angustia para toda pessoa que pratica o mal (…); glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem” (Rm 2.9-10).

Aqueles que não forem retirados do poder das trevas pela graça de Deus e transferidos para o reino de Cristo (os injustos) serão julgados por suas más obras, e receberão a condenação merecida.

Aqueles que foram retirados do poder das trevas pela graça de Deus e transferidos para o reino de Cristo, serão julgados por suas boas obras e receberão “glória, honra e paz”, contudo, a fim de evitar que se atribua algum mérito ao homem na sua salvação, Agostinho afirma que as boas obras têm sua origem em Deus, é “dom de Deus”.

Na lição desse Pai, a fé da Igreja, não nega a responsabilidade humana de fazer o bem e evitar o mal, mas não ignora também os efeitos da queda sobre a vontade, que jamais faria alguma coisa agradável a Deus sem a Graça. Na linguagem Agostiniana, “é impossível”, sem a graça de Deus, fazer algo, “seja para a conversão do mal para o bem, seja para perseverar no bem, ou ainda para se alcançar a felicidade eterna”.

Para Agostinho, os caminhos dos justos representam as boas obras que Deus determinou de antemão para que se andasse nelas (Ef.210).

E conclui: “não deveis defender a liberdade a ponto de atribuir-lhe as boas obras sem a graça de Deus; não deveis defender a graça de Deus a ponto de preferir as más obras, como se tivésseis a garantia da graça. Tal não permita a própria graça de Deus. O apóstolo, fazendo suas as palavras dos que assim pensam, diz: Que diremos então? Que devemos permanecer no pecado, a fim de que a graça atinja a sua plenitude?
Respondendo a estas palavras de pessoas que vivem no erro e não compreendem a graça de Deus, diz: De modo algum! Nós que morremos para o pecado, como haveríamos de viver ainda nele? (Rm 6.1-2). Nada mais breve e melhor pode ser dito. Pois, o que de mais útil nos confere a graça de Deus neste mundo maligno, senão a morte do pecado? Por isso torna-se ingrato à graça quem quer viver no pecado contando com ela, pela qual morremos para o pecado.”

Agostinho termina a carta, com a seguinte palavra “Deus que é rico em misericórdia, conceda-vos apreciar o que é bom e permanecer até o fim no bom propósito e sempre progredindo”.




Somente uma mente como a de Agostinho, que atribui todo o bem a Deus “que age por sua graça”, pode oferecer a ele um culto de “gratidão”.


Do contrário, o que restará é um culto onde a glória de Deus será dividida com o homem. E esse tipo de culto, Deus não aceita.


Termino, a leitura dessa carta, me lembrando do refrão de um hino da Harpa Cristã e faço da letra dessa música minha oração:

Chuva de graças, chuva pedimos Senhor, manda-nos chuvas contantes, chuvas do Consolador”

De seu irmão, em Cristo!

Aldair Ramos Rios

Agostinho, Santo, Bispo de Hipona, 354-430. A Graça (ii)/ Santo Agostinho. São Paulo. Paulus:1999 – (Patristica, 13).Pag.16-21.

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