Concordo com SCOT HAHN que há "RAZÕES PARA CRER",
aliás, bem disserta John Stott nesse sentido, quando escreve aquele famoso
livreto "CRER É TAMBÉM PENSAR".
O livro de Scott Hahn tem algumas particularidades, ele é
proveitoso para aqueles que querem defender ou entender a posição
católico-romana frente a outras tradições do cristianismo e até mesmo visões de
mundo que se opõem a cosmovisão cristã.
Embora o livro seja proveitoso, ele também possui as suas
fraquezas, uma delas é a confusão que SCOTT faz entre SOLA SCRIPTURA e NUDA
SCRIPTURA.
Na verdade, a posição que ele afirmar refutar NÃO é a
posição do protestantismo histórico e
sim um conceito distorcido defendido por grupos radicais que se autodenominam
protestantes.
Você pode ler vários textos, em que apresento partes das
principais confissões de Fé da reforma que tratam sobre o tema.
Mas hoje, gostaria de contestar mais uma das teses de SCOTT
HAHN em seu livro "Razões para Crer" da Editora Cléofas, páginas 81 e
82.
Ele começa afirmando que o "Novo Testamento é
indiscutivelmente o dado histórico mais completo e confiável da primeira geração
do cristianismo", e disso nós não discordamos, aliás o Novo Testamento é o
<<documento apostólico por Excelência>>, não por ter sido todos os
livros escritos necessariamente pelos apóstolos, mas sobretudo por estarem de
acordo com a <<doutrina dos apóstolos>>.
Segundo DANIEL ROPS em seu livro "QUE É A BÍBLIA?"
lançado pela editora Flamboyant, página 31:
"Não se deve, de modo algum, acreditar que este novo
Cânon fixou-se rapidamente [...] Trata-se bem mais do <<comum
assentimento>>, no fervor inspirado dessas igrejas primitivas [...] Os
dois critérios que preponderaram no julgamento foram essencialmente a
<<catolicidade e a apostolicidade>>. Um texto era admitido no Cânon
quando, <<NO CONJUNTO DAS COMUNIDADES ERA RECONHECIDO COMO FIEL A
VERDADEIRA TRADIÇÃO, A VERDADEIRA MENSAGEM>> [...] Nessas comunidades
primitivas, a filiação apostólica era fundamental, foram conservados aqueles
textos estabelecidos pelos testemunhos vivos, que provinham diretamente dos
discípulos de Jesus [...] o Cânon é, portanto, o resultado de uma escolha,
querida e guiada pelo Espírito Santo"
Vamos seguir lendo SCOTT HAHN:
"A Bíblia não criou a Igreja e nem a Justifica, muito
menos serve como constituição da Igreja. A Bíblia pressupõe a Igreja e depende
dela para sua própria autenticidade"
Scott Hahn ao tratar sobre a Escritura, primeiro parece
desconsiderar o próprio conceito de REVELAÇÃO que antecede o livro e resolve
fixar seu olhar apenas para a <<FORMA>> que a Revelação toma ao ser
escrita <<o LIVRO>>, mas a questão a ser analisada de maneira
honesta deve se ser tratada pela <<MATÉRIA>>, porventura, o
conteúdo dos livros sagrados se origina com a Igreja ou com Deus, aliás de quem
é a REVELAÇÃO de Deus ou da IGREJA?
O argumento de Scott não é novo, JOÃO CALVINO já havia enfrentado
questões semelhantes na sua época, vamos ás INSTITUTAS:
"Muitos são os que se deixam levar pelo erro por demais
pernicioso de afirmar que a importância da Escritura só é real na medida e na
proporção a elas atribuídas pela Igreja, como se a verdade eterna e inviolável
de Deus estivesse estribada no bel-prazer dos homens [...] Basta, porém, uma só
palavra do apóstolo paulo para fazer calar esses falsos mestres. Sim, porquanto
ele declara que a igreja está baseada no "fundamento dos apóstolos e
profetas" (Ef.2.20). Se a doutrina dos profetas e dos apóstolos é o
fundamento da igreja, primeiro importa que haja firme certeza dessa doutrina
para que, somente então, a igreja comece a existir. Tampouco é válido que se
ponham a ironizar alegando que, ainda que a igreja tenha a sua origem nos
escritos proféticos e apostólicos, não se sabe que livros podem ser atribuídos
aos profetas e aos apóstolos, a não ser que a igreja venha e determine quem
são. Pois bem, se a igreja cristã, desde o princípio, esteve fundada nos
escritos dos profetas e na pregação dos apóstolos, a aceitação dessa doutrina,
onde quer que se encontre é <<anterior à igreja>>, mesmo porque,
sem ela, a igreja nunca existiria. Portanto, é pura fantasia e mentira dizer
que a igreja tem autoridade para julgar a escritura e que é ela que, a seu bel
prazer, determina a certeza que se pode ter ou não ter quanto à Palavra de
Deus. A verdade é que, quando a igreja recebe e aprova a Escritura, não pé a
igreja que a torna autêntica, como se antes disso ela fosse duvidosa e incerta.
Muito ao contrário, porque é a igreja que <<reconhece>> que a
Escritura é a verdade de Deus, e, conforme o seu dever, a respeita sem
restrições"
Me parece que Scott era um "CALVINISTA MEIA BOCA",
porque se fosse mesmo calvinista teria certamente lido a posição do reformador
sobre o tema.
Em suma, a Revelação que mais tarde foi consignada nas
Sagradas Escrituras, precede a Igreja e constitui o FUNDAMENTO dela, aliás, o
que define a Igreja é a Revelação.
A MATÉRIA do qual trata a Escritura vem de Deus e não da
Igreja, como quer fazer crer Scott Hahn.
É por isso, que a chamamos ás Sagradas Escrituras de
<<PALAVRA DE DEUS>>.
Aldair R. Rios
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