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OS EFEITOS DA MORTE DE CRISTO NA VIDA DO ELEITO E DO NÃO ELEITO

Creio ... em Jesus Cristo...que padeceu sob Pôncio Pilatos, que foi crucificado, morto e sepultado...”

O pastor e escritor John Stott (in memorian) no seu livro “A cruz de Cristo” afirma que a “a cruz é o centro da fé evangélica”, é claro que John Stott não está excluindo a ressurreição de Jesus do centro da fé cristã, verdadeiramente a morte e ressurreição de Jesus está no centro da mensagem que os apóstolos e toda a Igreja tem anunciado ao mundo. Deixemos que Stott esclareça a sua própria afirmação:

“...o evangelho contém tanto a morte quanto a ressurreição de Jesus, visto que sua morte nada teria realizado se ele não tivesse ressurgido dentre os mortos. Contudo, o evangelho enfatiza a cruz, visto que, foi aí que se realizou a vitória. A ressurreição não alcançou nossa libertação do pecado e da morte, mas nos deu certeza de ambos. É por causa da ressurreição que “nossa fé e esperança” estão “em Deus” (1 Pedro 1.21)”.

De fato, a cruz é o centro da nossa fé, de maneira que o próprio Apóstolo dos gentios na sua primeira carta aos Coríntios escreve: “Eu mesmo, quando fui ter convosco, irmãos, não me apresentei com o prestígio da palavra ou da sabedoria para vos anunciar o mistério de Deus. Pois não quis saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado” (1 Coríntios 2.1,2).

Isso porque não há outra forma do homem ser reconciliado com Deus senão por meio da cruz.
Está no cerne da fé católica a afirmação de “que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.3) – Ver também Atos 3.18; 7.52; 13.29; 26.22-23.

Por que Jesus morreu?
Para salvar pecadores. Penso que não existem controvérsias sobre esta afirmação.

A igreja Universal de Cristo tem afirmado com uma só voz:“Cristo morreu por nós” (João 10.11-15; Lucas 22.19; Romanos 5.8; Efésios 5.2; 1 Tessalonicenses 5.10; Tito 2.14); “Cristo morreu para conduzir-nos a Deus” (1 Pedro 3.18); “Cristo morreu por nossos pecados” (1 Coríntios 15.3; 1 Pedro 3.18; Hebreus 9.26; 10.12; 1 João 17.7; Apocalipse 1.5-6); “Cristo morreu a nossa morte”.


O único que pode salvar o gênero humano é Jesus. Nesse sentido a morte de Jesus toma um caráter universal, porque ele é o “salvador do homem”.

Contudo, ainda existe a discussão sobre a “abrangência da eficácia” do sacrifício de Cristo. Ele é de caráter universal ou particular?

Geralmente essa discussão tão importante é resumida pela seguinte pergunta “Por quem Jesus morreu? ”.

Aqueles que defendem uma posição arminiana ou wesleyana afirmam que Cristo “morreu por todos”, os calvinistas afirmam que Cristo “morreu só pelos eleitos”.

Porém, penso que tratar de um assunto tão importante com uma única frase é simplificar demais o assunto.
Objetivamente a morte de Cristo é suficiente para salvar qualquer um. Aliás, ela é suficiente para salvar o mundo inteiro.

Contudo, a pergunta que fica é, para quem esse sacrifício é eficaz?

SERIA A EXPIAÇÃO PARTICULAR OU UNIVERSAL?

Certamente a morte de Cristo foi SUBSTITUTIVA, isso significa que Cristo tomou o nosso lugar. Mas o lugar de quem? De todas as pessoas? Eis a questão.
A palavra expiação descreve o que Cristo fez na cruz para resolver o problema do pecado e reconciliar o homem com Deus.

O pecado do homem tinha provocado a ira de Deus. Sendo ele santo jamais poderia tolerar o pecado, por isso era necessário que sua ira fosse apaziguada e foi, o próprio Deus na pessoa de seu Filho tomou o nosso lugar na cruz, morrendo pela propiciação de nossos pecados. Cristo também nos libertou, ou seja, nos resgatou de nosso cativeiro moral, éramos escravos de nossas transgressões e pecados, mas Cristo nos libertou no império das trevas e nos transportou para o reino de seu filho amado. Ele removeu a inimizade gerada pelo pecado que havia entre nós e Deus, fomos reconciliados com ele. Não apenas, como Cristo sofreu a penalidade da Lei em nosso lugar e viveu uma vida justa, somos declarados justos, visto que, sua justiça nos é imputada.

Penso que diante da divergência entre arminianos e calvinistas, podemos levantar duas questões; Primeiro, essas duas posições necessariamente precisam ser mutuamente excludentes? Os efeitos da morte de Cristo na vida dos eleitos são necessariamente iguais ou diferentes na vida dos incrédulos?
Para Mark Driscoll, em um certo sentido Jesus morreu por todos e em outro não, parece complicado, mas vamos a palavra dele:

“Simplificando, ao morrer por todos, Jesus comprou todos como sua possessão, e então aplica seu perdão aos eleitos – aqueles em Cristo – pela graça, e aplica sua ira aos não eleitos – aqueles que rejeitam a Cristo.
Objetivamente, a morte de Jesus foi suficiente para salvar qualquer um, e, subjetivamente, eficiente somente para salvar aqueles que se arrependem do seu pecado e confiam nele. ”
Não podemos afirmar que os efeitos da morte de Cristo sejam os mesmos para eleitos e não eleitos, visto que, se forem, logicamente ninguém perecerá eternamente.

O Credo Niceno afirma “... por nós (geral) e por nossa salvação (particular) ele desceu do céu...”

Nesse sentido, podemos dizer que a morte de Jesus tem tanto caráter universal, quanto particular.

Sei que esse é um assunto rodeado de controvérsias, não tenho a pretensão de dar a palavra final , apenas contribuir com a sadia discussão do referido. Que o Pai nos ajude!

Aldair R. Rios

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