Pular para o conteúdo principal

AS DISTORÇÕES DO CONCEITO HISTÓRICO DO “SOLA SCRIPTURA” – PARTE 2



ARGUMENTOS APRESENTADOS COM MAIS FREQUÊNCIA PELOS APOLOGISTAS CATÓLICOS ROMANOS


1. Nenhum livro pode confirmar a si mesmo é preciso que alguém o confirme e isso se aplica a Bíblia.
2. A escolha dos livros da Bíblia foi feita pela igreja católica, do contrário, como saberíamos quais livros são inspirados por Deus?
3. Os protestantes que não aceitam a autoridade da Igreja, nem do magistério ou da tradição, não podem saber por que admitem que a Bíblia é a Palavra de Deus.
4. Os protestantes afirmam que só pode admitir as verdades claramente expressadas na Bíblia, mas em que texto das Escrituras se afirma o princípio de que a Bíblia é a Palavra de Deus e de que só a Escritura é Regra de Fé? O texto de 2 Timóteo 3:16-17 não descreve quais livros são inspirados? A que livros Paulo se refere? A todos os livros do mundo?
5. A Bíblia ensina que a Tradição é uma fonte paralela de convicção autêntica é isso que Escreve o Apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 2:15 e 1 coríntios 11:2.
6. A Bíblia não contêm toda a Palavra de Deus, por isso, os protestantes não podem dizer se uma doutrina é herética ou não.
7.Quem disse que tudo tem que estar na Bíblia, me mostre um versículo se puder?





 O QUE O SOLA SCRIPTURA NÃO É




a)     “Sola scriptura” não é o mesmo que “Nuda scriptura”




Quando os protestantes afirmam a doutrina “SOLA SCRIPTURA”, NÃO estão dizendo que Bíblia é ÚNICA autoridade pra IGREJA. Mesmo porque os protestantes acreditam em outras “autoridades” tais como os Credos ecumênicos, as confissões de fé, os catecismos, Concílios, as opiniões dos escritores antigos, etc.



No entanto, surgindo um conflito entre essas autoridades, as Sagradas Escrituras será o juízo que deliberará toda e qualquer controvérsia.



A Bíblia é a autoridade MÁXIMA. 


Isso significa que todas as demais autoridades são “normas reguladas”, enquanto que, a Bíblia é a “norma reguladora”, ou seja, todas as demais autoridades devem estar submetidas a ela que é a ÚNICA REGRA INFALÍVEL E SUPREMA DE FÉ E PRÁTICA.



ii. Nenhuma autoridade acima da Bíblia (Isso é Sola Scriptura)

ii. Nenhuma autoridade exceto a Bíblia (Nuda Scriptura) - Isso não é "Sola Scriptura".



Em suma, Suprema, sim. Única, não.



No artigo “O que Sola Scriptura não significa” de C. Michael Patton publicado no site “Reforma 21”[1], trás alguns tópicos interessante sobre o que não é a doutrina “Sola Scriptura” da Reforma, abaixo o resumo:




“1.Sola Scriptura não significa que a Escritura é a única fonte de discernimento espiritual

Discernimento espiritual pode vir de um grande número de fontes, tanto seculares como Cristãs. [...] Há muitas coisas – músicas, palavras sábias, livros e filmes (cristãos e seculares), entre outras coisas – que podem ser fonte de discernimento e inspiração. Lembre-se, toda verdade é verdade de Deus. Não precisa estar nas Escrituras para ser verdadeiro.

2.Sola Scriptura não significa que não há outras autoridades em nossas vidas

Acreditamos que as Escrituras são nossa suprema e única autoridade infalível, mas não que são nossa única autoridade. Por exemplo, acreditamos que nossos pastores e líderes da igreja têm autoridade em nossas vidas. Hebreus 13.7 diz que devemos obedecer nossos líderes. Esposas devem se submeter aos seus maridos (Efésios 5.2). Pessoas devem obedecer ao governo (1 Pedro 2.13). Crianças devem fazer o que seus pais dizem (Efésios 6.1). Não pode haver desculpas como “Pai, a Bíblia não diz que eu tenho que limpar meu quarto, então eu escolho não limpar”, ou “Senhor policial, não há nada específico na Bíblia sobre passar no sinal vermelho”. Da mesma forma, a tradição (história da igreja) é uma autoridade em nossas vidas. Aqueles que nos antecederam na fé devem ser respeitados. Sua influência coletiva e unificada cria uma autoridade que, creio eu, só está abaixo da Escritura. Afinal, eles tinham o mesmo Espírito Santo que nós, não tinham? O Espírito Santo não nos ensina tudo novo como indivíduos, mas nos educa e inspira por meio daqueles que nos precederam. É por isso eu amo os teólogos já falecidos![...] Ao ler as Institutas de João Calvino este verão, o fiz com um pente fino, sublinhando toda vez que outra fonte era referida, especialmente entre os pais da igreja. Não se pode estudar a doutrina Protestante do Sola Scriptura e sair com a ideia  de que os Reformadores sempre disseram que as Escrituras eram nossa única autoridade. Suprema, sim. Única, não. Nenhum desses é nossa autoridade última, e se as Escrituras contradizem o que essas autoridades dizem, as Escrituras ganham.

3.Sola Scriptura não significa que se não está na Bíblia, não é divinamente válido.

Romanos 1 fala da autoridade vinculada à mensagem da criação: “Pois desde a criação do mundo, os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Romanos 1.20). Da mesma forma, em Romanos 2, sabemos que nossa consciência nos testifica sobre a vontade de Deus (Romanos 2.14-16). Como cristãos, devemos estar dispostos a tomar exemplos de todas as formas daquilo que chamamos “Revelação Geral”: razão, consciência moral e a mensagem da criação são todos válidos aqui. Seja a razão ou a mensagem da criação e as conclusões tiradas delas, não podemos fazer vista grossa e dizer que, se não está na Escritura, não faz diferença nenhuma.Sola Scriptura não significa que as Escrituras são uma fonte exaustiva de como nós devemos viver nossas vidas a cada diaPense em quantas coisas a Bíblia não nos diz. Não nos diz coisas específicas sobre onde trabalhar, com quem nos casar, o que comer, com que frequência tomar banho, quantos presbíteros ter ou como, exatamente, conduzir um culto dominical. Ela nos ensina princípios gerais e então oferece muita liberdade para cada um de nós sermos sábios em organizar os detalhes. A Escritura nos prepara espiritualmente para todo serviço espiritual (2 Timóteo 3.17). Não há um depósito de conhecimento ou uma base de dados perdidos que contenham informação essencial sobre como ter um relacionamento correto com Deus. Nisso, a Escritura é completamente suficiente para toda tarefa espiritual.”




Nesse Sentido, Paulo Cristiano da Silva em seu artigo “Sola Scriptura X Tradição Oral” [2]:



Não é uma reivindicação de que todo tipo de verdade tem de ser forçosamente encontrada na Bíblia [...] por outro lado, a sugestão da tradição como forma de solucionar esta lacuna não resolve o problema, pois semelhantemente ela não é exaustiva. [...] Nós precisamos de conhecimento necessário e não de conhecimento exaustivo.




O QUE É SOLA SCRIPTURA?



Particularmente, gosto muito da definição feita por Alderi Souza de Matos[3]:



“Sola Scriptura: somente a Escritura é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias (= a supremacia das Escrituras). Ela é a norma normanda ("norma determinante") e não a norma normata ("norma determinada") para todas as decisões de fé e vida. A autoridade da Escritura é superior à da Igreja e da tradição. Contra a afirmação católica: "a igreja ensina" ou "a tradição ensina," os reformadores afirmavam: "a Escritura ensina." 




Nenhuma confissão de fé do protestantismo da Reforma afirma que a Bíblia contém tudo ou trata de todos os assuntos. O que elas asseguram é que na Bíblia pode ser encontrado tudo o que é necessário saber para a salvação.



Segunda Confissão de fé Helvética:


"A Escritura ensina plenamente toda a piedade... portanto, ... destas Escrituras devem derivar-se a verdadeira sabedoria e piedade, a reforma e o governo das igrejas, também a instrução em todos os deveres da piedade; enfim, a confirmação de doutrinas e a refutação de todos os erros, assim como todas as exortações segundo a palavra do apóstolo: „Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão", etc. (II Tim 3.16-17). E ainda: "Escrevo-te estas cousas", diz o apóstolo a Timóteo, "para que fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus", etc. (I Tim 3.14-15). "


Confissão de fé da Igreja Anglicana:


"A Escritura Sagrada contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma seja crido como artigo de fé ou julgado como requerido ou necessário para a salvação. Pelo nome de Escritura Sagrada entendemos os Livros canônicos do Velho e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer dúvida na Igreja" (Documentos: Os 39 artigos da religião)


Confissão de Fé de Westminster:



VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14




Confissão Belga:



Cremos que a Sagrada Escritura contém perfeitamente a vontade de Deus e que ensina suficientemente tudo aquilo que o homem precisa saber para ser salvo.1 Nela está detalhado e escrito cabalmente o modo de adoração que Deus requer de nós. Por isso, não é lícito a ninguém, nem mesmo a apóstolos, nada ensinar que seja diferente daquilo que agora nos ensina a Sagrada Escritura;2 sim, nem que seja “um anjo vindo do céu”, como afirma o apóstolo Paulo (Gl 1.8). A proibição de acrescentar ou retirar qualquer coisa da Palavra de Deus (Dt 12.32),3 é evidência que a doutrina nela contida é perfeitíssima e completíssima em todos os sentidos.4 Não nos é permitido considerar quaisquer escritos de homens, por mais santos que tenham sido, como de igual valor ao das Escrituras Divinas; nem devemos considerar que costumes, maiorias, antiguidade, sucessão de tempos e de pessoas, concílios, decretos ou estatutos tenham o mesmo valor da verdade de Deus, porque a verdade está acima de tudo. Pois todos os homens são em si mesmos mentirosos e “mais leves que a vaidade” (Sl 62.9).Por isso, rejeitamos de todo o coração tudo aquilo que discorde dessa regra infalível,6 conforme nos ensinou o apóstolo: “provai os espíritos se procedem de Deus” (1Jo 4.21), e também: "Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas" (2Jo 1.10).1. 2Tm 3.16, 17; 1Pe 1.10-12; 2. 1Co 15.2; 1Tm 1.3 3. Dt 4.2; Pv 30.6; At 26.22; 1Co 4.6; Ap 22:18, 19; 4. Sl 19.7; Jo 15.15; At 18.28; 20.27; Rm 15.4; 5. Mc 7.7-9; At 4.19; Cl 2.8; 1Jo 2.19; 6. Dt 4.5, 6; Is 8.20; 1Co 3.11; Ef 4.4-6; 2Ts 2.2; 2Tm 3.14, 15.”


Documento “Essência do Anglicanismo”



"As Escrituras canônicas do Antigo e Novo Testamento são “a palavra de Deus escrita”, inspirada e autorizada, verdadeira e confiável, coerente e suficiente para a salvação. “A Palavra de Deus escrita” tem vida e  poderosa como guia divino tanto para a conduta quanto para a fé crista. A fé trinitária, cristocêntrica, orientada para a redenção, que se encontra na Bíblia, esta encarnada nos credos ecumênicos históricos ...Em cada época, o Espírito Santo conduz o povo de Deus, a Igreja, a submissão as escrituras como seu guia. Para isso, usa sempre como ponto de referencia o respeito as santas tradições, o uso humilde da razão humana e a oração. A Igreja não pode se constituir juiz das Escrituras, descartando e selecionando ensinos. As Escrituras mesmas, sob a autoridade de Cristo, julgam a Igreja no que tange a sua fidelidade a verdade por ele revelada. (Dt 29:29; Is 40:8; 55:11; Mt 5:17,18; Jo 10:35; 14:26; Rm 1:16; Ef 1:17-19; II Tm 2:15; 3: 14-17; II Pd 1:20,21)




CONTINUA...







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NÃO FAÇA CONFUSÃO: LIVRE EXAME, NÃO É LIVRE INTERPRETAÇÃO

Geralmente quando saímos em defesa da confessionalidade, somos frequentemente mal compreendidos. E lá vem a voz do “crente biblicista”, com a seguinte argumentação: – Só leio a Bíblia.A questão não é se você lê a Bíblia (por que isso é obrigação de todo crente), mas como você lê? Vamos esclarecer? Defender a confessionalidade não é discutir a autoridade bíblica, mesmo por que, partimos da AFIRMAÇÃO que a Escritura Sagrada sempre será nossa única regra de fé e prática. O que queremos dizer com isso é que seria impossível ler as Sagradas Escrituras sem pressupostos interpretativos e teológicos. No texto de Davi Charles Gomes, postado no site Coram Deo¹, encontramos a seguinte constatação. Toda interpretação (toda "leitura") parte de pressupostos, de uma experiência pessoal, de uma história; ela nunca é uma leitura "neutra", destituída de preconceitos e outros antecedentes. Basta lembrar que a própria língua de cada povo já estabelece limit...

NEM TUDO É PRECONCEITO

Por que qualquer divergência que tenhamos em relação a um posicionamento hoje é visto como preconceito?   É exatamente com aqueles que se autodenominam “tolerantes” que vemos o que há de mais rígido em matéria de extremismo e de intolerância. Os mesmos que pregam a tolerância e advogam vivermos numa sociedade pluralista, são tão intolerantes quantos aqueles que acusam.     Temos visto nos últimos anos no Brasil uma tentativa de impor uma mordaça naqueles grupos que insistem em defender posições mais conservadoras, principalmente, no que se diz respeito à fé e a moral.     Ora, não precisamos ser “gênios” para perceber que sempre houve e sempre haverá divergências numa sociedade; visto que essa é uma mão de duas vias, a experiência nos prova que quando um grupo afirma o outro nega.     Tentar impedir um indivíduo de externar suas opiniões ou de exercer o seu direito de discordar, é trazer de volta para história à ditadura,...

A SABEDORIA DE DEUS

A SABEDORIA DE DEUS   Atributo intelectual de Deus. Aspecto particular do conhecimento divino. A sabedoria é o conhecimento intuitivo aplicado.   Em Deus a sabedoria é infinita. CARACTERISTICAS É essencial em Deus   Não pode ser separado de Deus, nem foi acrescido ou veio a lhe pertencer É originária em Deus – Rm 11.34, Is 40.14. É propriedade de Deus e ele pode concedê-la a outros. É necessária em Deus – Rm 16.27. É incompreensível – Sl 147.5, Sl 92.5, Rm 1.33, Jó 11.5-9.   É eterna – Pv 8.22-31; Jó 12.12,13.   REVELAÇÃO DA SABEDORIA          É revelada em Cristo - Cl 2.1-3.       É proclamada através da Igreja – Ef 3.8-13.   EVIDÊNCIAS DA SABEDORIA Criação – Sl 104,24, Pv 3.19, Jr 10.12, Jr 51.15, Pv 8.22-36.   seres humanos – Pv 2 e 3.   SEM A SABEDORIA   Outras virtudes de Deus seriam sem brilho Deus não poderia governar o universo – Jó 12.13-16, Dn ...