CREMOS QUE OS PECADORES RESISTEM A GRAÇA DE DEUS
As pessoas
resistem à graça de Deus constantemente por causa da natureza
pecaminosa que herdaram. John Piper dá alguns exemplos:
“Em Isaías 57:17-19, por
exemplo. Deus castiga seu povo rebelde ferindo-os e ocultando seu rosto deles:
“Por causa da sua cobiça perversa fiquei indignado e o feri; fiquei irado e escondi
o meu rosto” (v. 17). Mas eles não responderam com arrependimento. Pelo
contrário, continuaram se desviando. Eles resistiram: “Mas ele continuou
extraviado, seguindo os caminhos que escolheu.” (v. 17). Então a graça pode ser
resistida. De fato, Estevão disse para os líderes judeus, “vocês sempre
resistem ao Espírito Santo!” (Atos 7: 51).”
No entanto, essa
resistência natural não obsta a GRAÇA SOBERANA. Toda e qualquer resistência humana pode ser vencida pela graça de Deus. É O TRIUNFO DA GRAÇA DE DEUS. Estamos falando da
GRAÇA DE DEUS e não de qualquer artifício humano para conversão de pecadores. Sobre
o poder da Graça de Deus John Piper prossegue:
“O que Deus faz então? Ele é
impotente para levar aqueles que resistem ao arrependimento e integridade? Não.
O próximo versículo diz: “Eu vi os seus caminhos, mas vou curá-lo; eu o guiarei
e tornarei a dar-lhe consolo” (v. 18). Assim, em face do teimoso, do desviado
resistente à graça, Deus diz, “vou curá-lo”. Ele irá “restaurar” – a palavra é
“tornar inteiro ou completo”. Termo que está relacionado com a palavra shalom,
paz. Plenitude e paz são mencionadas no próximo versículo, o qual explica como
Deus converte um desviado resistente à graça. Ele faz isso “criando louvor nos
lábios. ‘Paz, paz, [shalom, shalom] aos de longe e aos de perto’, diz o Senhor,
e eu o curarei”. (v. 19). Deus cria o que não estava lá. Esta é a forma como
somos salvos. E esta é a forma como somos impedidos de desviar. A graça de Deus
triunfa sobre a nossa resistência criando louvor onde ele não existia. Ele traz
shalom, shalom aos de longe e aos de perto. Plenitude, plenitude aos de longe e
aos de perto. Ele faz isso ao “restaurar”, ou seja, substituir a doença da
resistência com a solidez da submissão. O ponto da graça irresistível não é que
não podemos resistir. Nós podemos e fazemos. O ponto é que, quando Deus
escolhe, ele supera a nossa resistência e restaura um espírito submisso. Ele
cria. Ele diz: “Haja Luz!” Ele cura. Ele conduz. Ele restaura. Ele conforta.
Por essa razão, nunca nos vangloriamos de termos deixado de desviar. Nós nos
prostramos perante o Senhor e com alegria temerosa lhe agradecemos pela sua
graça irresistível.”[i]
Cremos no Deus
criador que transforma a criatura caída e faz dela NOVA CRIATURA. O mesmo Deus
que formou o homem e soprou em suas narinas o fôlego de vida, é o mesmo que
sopra sobre pecadores mortos o seu Espírito Santo e dá vida espiritual (Jo
3.8/Ez 37). Ele é quem dá um novo coração (Ez. 36.26, Jr. 24.7, Jr. 31.32), e que
transforma um perseguidor em perseguido (At.9). É ele quem nos faz compreender
o Evangelho assim como sucedeu a Lídia (At. 16.14). E por fim, nos concede a fé
(Tg 1:17, 2Pe 1:3, 1Co 4:7, Jo 10:17, Rm 12:3, Ef 6:23, Fl 1:29, Ef. 2.9) e o
arrependimento (At.5.31, Rm 2.4).
NÃO CREMOS QUE O PODER DE JESUS PARA SALVAR SEJA LIMITADO
Quando afirmamos a “expiação limitada” muitos pensam que acreditamos que o poder de Jesus para salvar é limitado. No entanto, não é isso que cremos, pelo contrário, cremos seguramente que o poder de Cristo é ilimitado e eficaz. Não há coração duro que ele não amoleça. Cristo é suficiente como Salvador.
É por isso, que é preferível o termo “expiação definida ou particular” para evitar confusão.
Como bem afirmou
Charles H. Spurgeon:
“Todos Cristãos sustentam que Cristo
morreu para redimir, mas nem todos ensinam a mesma redenção. Diferimos sobre a
natureza da expiação, e sobre o propósito da redenção. Por exemplo,
os Arminianos sustentam que Cristo, quando morreu, não morreu com a intenção de
salvar alguma pessoa em particular; e ensinam que a morte de Cristo não
assegura por si mesma, fora de qualquer dúvida, a salvação de nenhum homem.
Eles crêem que Cristo morreu para fazer a salvação de todos os homens possível,
ou que fazendo algo mais, qualquer homem que desejar pode alcançar a vida
eterna; conseqüentemente, eles estão obrigados a manter que, se a vontade
humana não cede e se entrega voluntariamente à graça, então a expiação de
Cristo será inútil. Eles sustentam que não há nada especial ou particular na
morte de Cristo. Cristo morreu, de acordo com eles, tanto por Judas no Inferno
como por Pedro que subiu ao Céu. Eles crêem que para aqueles que estão
confinados no fogo eterno, houve uma verdadeira e real redenção feita para eles
tanto como por aqueles que estão diante do trono do Altíssimo. Ora, nós não
cremos em tal coisa. Afirmamos que Cristo, quando morreu, tinha um objetivo
definido, e que este objetivo se cumprirá com toda certeza e acima de toda
dúvida. Nós medimos o propósito da morte de Cristo por seus efeitos. Se alguém
nos perguntar: "O que Cristo propôs fazer pela Sua morte?",
responderemos esta questão fazendo outra - "O que Cristo fez, ou o que Ele
fará por Sua morte?". Porque nós declaramos que a medida do efeito do amor
de Cristo, é a medida de seu propósito. Não podemos desvirtuar de tal forma nossa
razão para pensar que a intenção do Deus Todo-Poderoso poderia ser frustrada,
ou que o propósito de algo tão grande como a expiação poderia fracassar por
alguma causa, seja qual for. Nós sustentamos - e não temos medo de dizer que
cremos nisto - que Cristo veio a este mundo com a intenção de salvar "uma
multidão que nenhum homem pode contar"; e cremos que como resultado disto,
toda pessoa por quem Ele morreu deve, sem sombra de dúvida, ser limpa do pecado
e permanecer lavado no sangue diante do trono do Pai. Não cremos que Cristo
faria qualquer expiação eficaz por aqueles que estão condenados para sempre;
não ousaríamos em pensar que o sangue de Cristo foi derramado com a intenção de
salvar aqueles que Deus previu que nunca seriam salvos; e menos ainda que, de
acordo com o que dizem alguns, Cristo morreu por muitos dos que já estavam no inferno quando Ele subiu ao Calvário.”[1]
Mais a frente, no
mesmo texto, ele afirma:
“Jesus Cristo, somos informados no nosso
texto, veio ao mundo “para dar a sua vida em resgate de muitos ”. A grandeza da
redenção de Cristo pode ser medida pela EXTENSÃO DO DESÍGNIO DELA . Ele deu Sua
vida “em resgate de muitos”. Eu devo tratar agora de alguns pontos
controvertidos novamente. Freqüentemente se nos diz (me refiro àqueles que
comumente são apelidados pelo nome de Calvinistas – e por certo não nos
envergonhamos disso; cremos que Calvino, depois de tudo, conhecia mais o
Evangelho do que quase todos os homens que já viveram, com exceção dos
escritores inspirados da Bíblia), freqüentemente se nos diz que limitamos a
expiação de Cristo, porque dizemos que Cristo não fez uma satisfação por todos
os homens, ou de outro modo, todos os homens seriam salvos. Agora, nossa
réplica a isto é que, por outro lado, nossos oponentes a limitam: nós não. Os
Arminianos dizem: Cristo morreu por todos os homens. Peça a eles que expliquem
isso. Cristo morreu para assegurar a salvação de todos os homens? Eles dizem:
“Não, certamente não”. Fazemos-lhes a próxima pergunta: Cristo morreu para
assegurar a salvação de algum homem em particular? Eles respondem: “Não”. Eles são
obrigados a admitir isto, se quiserem ser consistentes. Eles dizem: “Não;
Cristo morreu para que qualquer homem possa ser salvo se...” – e então
adicionam certas condições para a salvação. Nós dizemos, então, voltando à
primeira afirmação: Cristo não morreu para assegurar a salvação de ninguém,
certo? Vocês devem dizer que “Não”; vocês são obrigados a dizer isso, porque
crêem que um homem que foi perdoado pode, todavia, cair da graça e perecer.
Agora, quem é que limita a morte de Cristo? Vocês. Vocês dizem que Cristo não
morreu para assegurar infalivelmente a salvação de ninguém. Nós apresentamos
nossas escusas, quando vocês dizem que limitamos a morte de Cristo; dizemos:
“Não, meu querido senhor, sois vós os que o fazeis”. Nós dizemos que Cristo
morreu para que Ele infalivelmente assegurasse a salvação de uma multidão que
ninguém pode contar, que por Sua morte não somente poderão ser salvos, mas que
o serão, devem ser salvos, e não podem de maneira alguma correr o risco de ser
outra coisa, senão salvos. Que vocês aproveitem a vossa expiação; podeis
guardá-la. Nunca renunciaremos a nossa por causa dela.”

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