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EM QUE CRÊ OS REFORMADOS ? - ESCLARECENDO ALGUNS PONTOS – PARTE 2



NÃO CREMOS QUE O HOMEM SEJA MARIONETE E DESTITUÍDO DE VONTADE.


 

 


O homem sempre faz o que quer. Suas escolhem se originam de seus desejos. Nesse sentido dizemos que o homem é um livre agente. O problema do homem está exatamente na natureza de seus desejos. O homem só não é livre pra fazer o que é contrário a sua natureza, exemplo, o homem não pode querer voar como um pássaro.

 

 


O homem é pecador e ama as coisas que deveria odiar. Sua inclinação é sempre para o pecado (Romanos 8.7), é como a cachoeira (torrente de água que corre ou cai formando cachão) que se precipita e cujas águas são sempre livres pra cair, mas nunca pra subir. O homem assim é livre pra ser o que ele é, pecador. Mas é totalmente incapaz de buscar as coisas santas de Deus, por que por sua natureza não as deseja. Vamos dar uma olhada nas confissões de fé da reforma:

 

 


Segunda confissão Helvética:

 

 


“O homem por si só não é capaz do bem. Com referência ao bem e à virtude, o entendimento do homem, por si mesmo, não julga retamente a respeito das coisas divinas. A Escritura evangélica e apostólica requer regeneração de todos aqueles de entre nós que desejamos ser salvos. Por conseguinte, nosso primeiro nascimento de Adão em nada contribui para nossa salvação. São Paulo diz: “O homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus”, etc. (I Co 2.14). E em outra passagem ele afirma que nós, por nós mesmos, não somos capazes de pensar nada de bom (II Co 3.5). Ora, sabe-se que a mente ou entendimento é a luz da vontade, e quando o guia é cego, é óbvio até onde a vontade poderá chegar. Por isso, o homem ainda não regenerado não tem livre arbítrio para o bem e nenhum poder para realizar o que é bom. O Senhor diz no Evangelho: “Em verdade, em verdade vos digo: Todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João 8.34). E o apóstolo São Paulo diz: “Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rom 8.7). O entendimento das coisas terrenas, porém, não é inteiramente nulo no homem decaído.”


 

 


Confissão Belga:

 


“Havendo se tornado ímpio e perverso, corrupto em todas as suas práticas, perdeu todos os dons excelentes5 que havia recebido de Deus. Nada lhe restou disso senão uns poucos vestígios, suficientes para torná-lo indesculpável.6 Logo, qualquer luz que há em nós transformou-se em trevas,7 como nos ensina a Escritura: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5). Aqui o apóstolo João chama a natureza humana de “trevas”. Rejeitamos, portanto, todo ensinamento sobre o livre-arbítrio que seja contrário a isso, porque o homem não passa de escravo do pecado (Jo 8.34) e ninguém “pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27). Pois, quem é que ousa vangloriar-se de poder por si mesmo fazer algum bem, quando Cristo afirma que: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44)? Quem se gloriará da sua vontade própria, depois de compreender que “o pendor da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8.7)? Quem pode falar do seu entendimento, quando “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1Co 2.14)? Em resumo, quem é que ousa reivindicar, seja o que for, quando entende que não somos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós mesmos, mas que a nossa capacidade vem de Deus (2Co 3.5)? Por isso, aquilo que o apóstolo diz deve justamente permanecer certo e firme: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Porque não há entendimento, nem vontade ajustada ao entendimento e à vontade de Deus, se Cristo não o efetuar em nós, segundo Ele nos ensina: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).1. Gn 2.7; Gn 3.19; Ec 12.7. 2. Gn 1.26, 27; Ef 4.24; Cl 3.10. 3. Gn 3.16-19; Rm 5.12. 4. Gn 2.17; Ef 2.1; Ef 4.18. 5. Sl 94.11; Rm 3.10; Rm 8.6. 6. Rm 1.20, 21. 7. Ef 5.8.”

 

 


Quando uma pessoa é regenerada por Deus, seus olhos são abertos, e então ela olha para a glória de Cristo no evangelho e crê para a salvação voluntariamente, exercendo o dom da fé que Deus lhe dá soberanamente, visto que agora ela vê em Jesus um valor incomparável acima de todas as coisas.


 


NÃO CREMOS EM FATALISMO.


 

Somos acusados de fatalistas, quando na realidade cremos que somos as pessoas menos fatalistas em todo o mundo. O fatalismo é crer que tudo está deixado ao azar ou caprichos cósmicos. Não cremos nisso, pelo contrário, cremos que todas as coisas são governadas por um Deus soberano, que é perfeito, ao mesmo tempo bom e justo. 

 

Nós não temos as respostas a todas as perguntas que fazemos nessa vida, na verdade ninguém entre os humanos as tem. Reservamos-nos a crer que nosso Deus é um Criador, bom e justo e que tudo o que ele faz tem um propósito bom e definido. (cf. Efesios 1:11, Romanos 12:2).

 


NÃO CREMOS QUE DEUS É CRUEL PORQUE ELEGE ALGUMAS PESSOAS PARA A SALVAÇÃO.


 

 

“Como todos os homens pecaram em Adão, estão debaixo da maldição e merecem a morte eterna, Deus não teria feito injustiça a ninguém se tivesse resolvido deixar toda a raça humana no pecado e debaixo da maldição, e condená-la por causa do seu pecado, de acordo com estas palavras do apóstolo: “para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus ... pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.19, 23) e “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).” (CANÔNES DE DORT)

 

O amor de Deus pela raça humana é manifesto justamente no fato de ele salvar pecadores. Deus não deve misericórdia a ninguém. Todos pecaram e merecerem a ira de Deus. Portanto, se Deus é gracioso com alguns, justo com outros, a ninguém ele faz injustiça. Deus é Deus e faz tudo quando quer nos céus e na terra.





NÃO CREMOS QUE AS PESSOAS SÃO ESCOLHIDAS DE FORMA ARBITRÁRIA.


 

 

Muitas pessoas, por não conhecerem as doutrinas da graça, pensam que cremos que Deus colocou um monte de nomes em um saco, meteu a mão lá e tirou alguns nomes para manifestar a sua misericórdia.


Embora creiamos que Deus, de fato, escolhe incondicionalmente, ou seja, Deus não nos escolhe com baseado em alguma coisa que tenhamos feito ou viríamos a fazer. No entanto isso não significa que Deus não tenha as suas razões, e são essas razões que ele não quis nos revelar. No entanto, estamos certos de que ele não fez por sermos melhores por isso não temos no que nos gloriar.





CREMOS QUE DEUS AMA TODAS AS PESSOAS.




Deus ama a todas as pessoas, mas não com o mesmo “tipo” de amor. Podemos fazer uma distinção entre o amor benevolente e o amor complacente (amor acompanhado de deleite). Deus mostra o seu amor benevolente para com todas as suas criaturas, chove na casa do ímpio e do justo. Deus cuida e sustenta cada uma delas, independentemente, de crerem nele ou não.


“O amor de benevolência é a qualidade da boa vontade para com as pessoas. O Novo Testamento está repleto de referências da boa vontade de Deus para com toda a humanidade, mesmo em nossa condição caída. Apesar de satanás ser um ser malévolo (que fomenta má vontade para conosco e para com Deus), nunca se pode dizer devidamente de Deus que Ele é malévolo. Ele não tem malícia em sua pureza, nem malignidade em suas ações. Deus não se “deleita” na morte do ímpio — ainda que a decrete. Seus julgamentos sobre o mal estão fundamentados em Sua justiça, e não em alguma malícia distorcida em Seu caráter. Como um juiz terreno lamenta ao mandar o culpado para o castigo, Deus se alegra na justiça desse ato, mas não tem prazer nenhum na dor dos que são merecidamente punidos. Esse amor de benevolência, ou boa vontade, se estende a todas as pessoas, sem distinção. Nesse sentido, Deus é amoroso até para com os condenados ao inferno (R.C. Sproul). ”[i]



Já o amor complacente, é aquele dispensado a Igreja.  É o amor acompanhado de deleite.





“Seu amor de complacência não é universal, nem incondicional. Tristemente, em nossos dias, o caráter glorioso desse tipo de amor divino é geralmente negado ou obscurecido por uma universalização coletiva do amor de Deus. Declarar indiscriminadamente às pessoas que Deus as ama “incondicionalmente” (sem distinguir com cuidado os tipos diferentes de amor divino) é promover uma falsa sensação de segurança nos ouvintes. O amor de complacência de Deus é o deleite e o prazer especiais que Deus tem primeiramente em seu Filho unigênito. É Cristo o amado do Pai, acima de todos; Ele é o Filho em quem o Pai “se compraz.” Pela adoção em Cristo, cada cristão participa desse divino amor de complacência. Esse é o amor desfrutado por Jacó, mas não por Esaú. Esse amor é reservado para os remidos em quem Deus se deleita – não porque haja algo inerentemente amável ou prazeroso em nós – mas porque estamos tão unidos a Cristo, o Amado do Pai, que o amor que o Pai tem pelo Filho é derramado sobre nós. O amor de Deus por nós é agradável e doce para Ele e para nós, como Jonathan Edwards compreendeu tão bem (R.C.Sproul)[ii].”

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