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EM QUE CRÊ OS REFORMADOS ? - ESCLARECENDO ALGUNS PONTOS - PARTE 1



Para os que professam crer nas doutrinas da graça:


CALVINO NÃO É MAIS IMPORTANTE QUE CRISTO.




Cristo é o Senhor, Calvino apenas um servo de Jesus. O termo “calvinismo” é mais uma etiqueta, as vezes, usada para identificar os que abraçam a TULIP, da mesma forma que denominamos alguns grupos por suas peculiaridades, por exemplo, os “pentecostais”, “neopentecostais” ou quando identificamos alguém como “batista”, “luterano”, “episcopal”, “assembleiano” e assim por diante...

Isso não significa que concordamos com tudo o que Calvino escreveu, no entanto, podemos perceber claramente que as doutrinas da graça estão nas Sagradas Escrituras.

O termo reformado talvez seja mais apropriado por evitar confusões, porque nos liga a um evento “reforma” e não ao homem "JC".




CREMOS QUE OS ARMINIANOS SÃO CRENTES.




O fato de alguém professar ser calvinista ou arminiano não prova que ele tenha tido um encontro pessoal com Cristo Jesus. Afinal, Jesus mesmo nos diz que nem todas as “pessoas que dizem serem cristãs” são verdadeiramente cristãs (Mateus 7.21). Por isso, todo cristão deve examinar-se para ver se de fato está em Cristo. (2 Corintios 13.5).




NÃO CREMOS QUE SOMOS MELHORES QUE OS ARMINIANOS.




Se alguém se denomina calvinista, mas é orgulhoso, certamente não entendeu as doutrinas da graça. Ser calvinista e orgulhoso é uma contradição. Aquele que realmente crê nas doutrinas da graça não tem nenhum motivo para sentir orgulho de si mesmo e acreditar que é superior a qualquer outra pessoa, já que tudo o que sabemos e temos é por pura graça.




OS CINCO PONTOS NÃO ESGOTAM A MENTE DE DEUS.




Os cinco pontos não podem resumir toda a teologia reformada, eles são como a ponta do iceberg, a partir do qual nós mergulhamos no oceano da graça de Deus. Os cinco pontos são apenas o começo.


NÃO CREMOS QUE O SER HUMANO É TÃO MAL QUANTO PODERIA SER.


A doutrina da depravação total significa que todas as áreas da vida do homem têm sido afetadas pelo pecado.


NÃO CREMOS QUE DEUS É O AUTOR DO PECADO.




Até podem existir pessoas que afirme essa heresia e se denomine calvinista, mas esse não é o calvinismo histórico é só olhar as confissões de fé históricas. De fato, o calvinista crê que Deus é soberano sobre todas as coisas, mas nunca que Deus é o autor do pecado. Veja o que está nas confissões a seguir:




Confissão de fé batista de 1689:




“1. Desde toda a eternidade, Deus mesmo decretou todas as coisas que iriam acontecer no tempo; e isto Ele fez segundo o conselho da sua própria vontade, muita sábia e muito santa. 1 Fê-lo, porém, de um modo em que Deus em nenhum sentido é o autor do pecado, 2 nem se torna co-responsável pelo pecado, nem faz violência à vontade de suas criaturas, nem impede a livre ação das causas secundárias ou contingentes. Pelo contrário, estas causas secundárias são confirmadas; 3 e em tudo isso aparece a sabedoria de Deus em dispor de todas as coisas, e o seu poder e fidelidade em fazer cumprir seu decreto. 4”Confissão de Westminster:“I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas”.




Segunda Confissão Helvética:




Deus não é o autor do pecado; e até onde se pode dizer que ele endurece. Está claramente escrito: “Tu não és Deus que se agrade com a iniqüidade. Aborreces a todos que praticam iniqüidade. Tu destróis os que proferem mentira” (Sal 5.4 ss). E de novo: “Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). Além disso, há em nós suficiente pecado e corrupção, não sendo necessário que Deus em nós infunda uma nova e ainda maior depravação. Quando, portanto, se diz nas Escrituras que Deus endurece, cega e entrega a uma disposição réproba de mente, deve-se entender que Deus o faz mediante um justo juízo, como um Juiz Vingador e justo. Finalmente, sempre que na Escritura se diz ou parece que Deus faz algo mal, não se diz, por isso, que o homem não pratique o mal, mas que Deus o permite e não o impede, segundo o seu justo juízo, que poderia impedi-lo se o quisesse, ou porque ele transforma o mal do homem em bem, como fez no caso do pecado dos irmãos de José, ou porque ele próprio controla os pecados, para que não irrompam e grassem mais largamente do que convém. Santo Agostinho escreve em seu Enchiridion: “De modo admirável e inexplicável não se faz além da sua vontade aquilo que contra a sua vontade faz. Pois não se faria, se ele não o permitisse. E, no entanto, ele não o permite contra a vontade, mas voluntariamente. O bom não permitiria que se fizesse o mal, a não ser que, sendo onipotente, pudesse do mal fazer o bem”. É isso o que ele diz.”




Confissão De fé De La Rochelle:




“Certamente nós não cremos que Deus seja o autor do mal ou que alguma culpa lhe possa ser atribuída, porque, ao contrário, sua vontade é a regra soberana e infalível de toda a retidão e verdadeira justiça. Mas Deus dispõe de meios admiráveis para se servir dos demônios e dos ímpios, de tal sorte que ele converte em bem o mal que eles fazem e pelos quais são culpados.”




Confissão de fé Belga:


“Cremos que o bom Deus, depois de haver criado todas as coisas, não as abandonou nem as entregou ao destino ou acaso,1 mas segundo a Sua santa vontade Ele as rege e governa de tal modo que no mundo nada acontece sem a Sua determinação.2 Deus, contudo, não é o autor nem é culpável dos pecados que se cometem,3 pois Seu poder e bondade são tão grandes e incompreensíveis que Ele ordena e faz a Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça.4 E quanto àquilo que Ele faz que ultrapassa o entendimento humano, não queremos investigar curiosamente além da nossa capacidade de entender. Mas adoramos com toda humildade e reverência os justos juízos de Deus, que nos estão ocultos.5 Contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, que de- vem aprender apenas o que Ele nos ensina em Sua Palavra, sem transgredir esses limites.6Essa doutrina nos traz uma consolação indizível, quando nos ensina que nada nos acontece por acaso, mas somente pela determinação do nosso gracioso Pai celestial. Ele cuida de nós com zelo paternal, guardando as Sua criaturas de tal modo que debaixo do Seu poder que nem mesmo um cabelo da nossa cabeça — pois estão todos contados — ou um pardal cai por terra sem o consentimento do nosso Pai (Mt 10.29, 30). Nisso confia- mos, pois sabemos que Ele reprime o maligno e todos os nossos inimigos para que não possam nos ferir sem a Sua permissão ou vontade.7Por isso rejeitamos o detestável erro dos epicureus, que afirmam que Deus não se importa com nada, mas tudo entrega ao acaso.1. Jo 5.17; Hb 1.3. 2. Sl 115.3; Pv 16.1, 9, 33; Pv 21.1; Ef 1.11, 12; Tg 4.13-15. 3. Tg 1.13; 1Jo 2.16. 4. Jó 1.21; Is 10.5; Is 45.7; Am 3.6; At 2.23; At 4.27,28. 5. 1Rs 22.19- 23; Rm 1.28; 2Ts 2.11. 6. Dt 29.29; 1Co 4.6. 7. Gn 45.8; Gn 50.20; 2Sm 16.10; Rm 8.28, 38, 39”.

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