Pular para o conteúdo principal

CONFLITO DE SIMBOLOS E MANDATO CULTURAL




O panorama religioso do mundo mudou profundamente nas últimas décadas, após o fim da Guerra Fria: de um lado o “mundo livre”, ou a civilização ocidental e cristã, e de outro os “inimigos” do império soviético -- em um esquema maniqueísta. 
Há sinais de vitalidade religiosa em áreas do antigo regime marxista, bem como de declínio religioso em áreas da antiga “civilização ocidental”. Esta está cada vez mais ex-cristã, pós-cristã e anticristã. Há bolsões de repressão religiosa no que resta de países comunistas, mas o fato novo -- e preocupante -- é o florescimento de partidos e movimentos hinduístas, budistas e islâmicos extremistas advogando o fim da separação entre religião e Estado e afirmando suas nacionalidades pela vinculação à religião. 

E, ainda, a consequente discriminação contra as demais religiões, notadamente o cristianismo. 
Uma revista brasileira de circulação nacional, em recente reportagem, mostrou a crescente perseguição aos cristãos em amplas áreas do globo. A Inglaterra, ex-celeiro de missionários, é o epicentro do secularismo anticristão no Ocidente, que vai rapidamente se espalhando. 

É considerado normal para um judeu ortodoxo usar um solidéu, para uma islâmica, um véu, para o sikh, um turbante, porém, o uso da cruz vai sendo banido, tido como “ofensivo” para a sociedade secularista (multiculturalismo + politicamente correto + agenda GLSBT). 
A periodização histórica em “antes de Cristo” e “depois de Cristo” vai sendo substituída pelo antes e depois da “Era Comum”. Ministérios estudantis, como a ABU (Aliança Bíblica Universitária), vão sendo restringidos, por apresentarem apenas um caminho de salvação e um modo de se viver a sexualidade. 
Nos Estados Unidos se proíbe a Tábua da Lei em tribunais ou o uso da saudação “Feliz Natal” (deve ser dito apenas “boas festas”). E os símbolos cristãos (cruz, peixe, alfa e ômega, cordeiro) vão sendo varridos dos espaços públicos. 
É proibido, ainda, o uso do argumento religioso na esfera pública. Os cristãos ocidentais vão sendo empurrados para um gueto, com sua fé restrita às suas consciências, lares e templos, sem relevância histórica ou influência social. 

O ódio secularista se dirige, prioritariamente, ao monoteísmo de revelação, visto que este afirma conceitos e preceitos morais tidos como preconceitos por uma sociedade relativista, amoral e hedonista. Enquanto isso, o Islã -- financiado pelos “petrodólares”-- vai construindo enormes e visíveis mesquitas no Ocidente, para onde emigraram, e em países periféricos onde atuam, com a torre de seus minaretes nos lugares mais altos, em uma afirmação de influência e de poder. 

O conflito político-ideológico-econômico vai sendo substituído por um conflito de símbolos religiosos, como expressão mais tangível do que já foi denominado de “choque de civilizações”, pois por trás dos símbolos há valores e estilos de vida com profundos desdobramentos para os povos. 
Enquanto isso, nós cristãos somos ensinados que a humanidade tem um mandato cultural que foi maculado pelo pecado original e que é dever da Igreja recuperá-lo segundo o ideal do Criador, ao promover os valores do reino de Deus, o direito natural e o bem comum. 
Também aprendemos que devemos fazer isto como mensageiros, missionários, evangelistas, embaixadores, sal e luz, não de uma cristandade político-militar ou teocrática, mas como uma comunidade afirmadora da soberania de Deus sobre a história e do reinado do singular Jesus Cristo sobre as nações -- o que implica uma evangelização das culturas chamadas à transformação segundo o projeto do Senhor e o caráter de Cristo. Todas elas estarão um dia diante do Cordeiro. O próximo momento da história será, sem dúvida, um conflito de símbolos (hoje já proibidos ou restringidos). 

O bispo anglicano Julian Dobbs tem mostrado a necessidade urgente e imperiosa de uma ampla campanha para que o povo cristão use uma cruz ou outro símbolo cristão como adereço (cordões, lapelas), e os clérigos, o seu colarinho ou outra expressão exterior da sua condição, como forma de identificação, afirmação, resistência e testemunho. 
Nesse sentido, o protestantismo latino-americano, com sua radical iconoclastia, rejeitando toda beleza, arte plástica e símbolos na adoração (arquitetura e decoração de templos, vestes clericais etc.) -- associando-os equivocadamente com a idolatria ou com a Igreja Romana --, dá um tiro no pé, tornando-se “inocente útil” dos adversários, despreparado e fazendo gol contra. 
O secularismo, que quer varrer os nossos símbolos para varrer nossa presença e influência, e o Islã, que quer afirmar os deles -- bem como sua hegemonia mundial --, agradecem. 

Ou o protestantismo latino-americano (e brasileiro) iconoclasta -- presentista e informalista -- permite que Deus o cure dessa enfermidade espiritual imatura, para ir além do discurso ou do show, resgatando uma rica herança, um patrimônio de toda a cristandade, ou vamos ter uma ausência de protagonismo, ou um protagonismo negativo no próximo capítulo da história da civilização e na história da igreja.
 A Bíblia, a história, a antropologia cultural e a psicologia social ajudariam neste salto de qualidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

GRÁTIS

  Você já viu propagandas que prometem “Ofertas grátis!”? Às vezes nós recebemos propagandas pelo correio que anunciam: “Grátis!” Essas coisas são realmente grátis? Freqüentemente você consegue um item grátis unicamente se primeiro adquirir outra coisa, ou precisa pagar o “frete” . Talvez você já tenha visto coisas em frente de jardim com uma placa presa a eles onde se lê: “Grátis”. São coisas que os donos não precisam ou não querem mais. 1   Se você visse uma propaganda que dissesse “Roupas Grátis!” ou “Brinquedos Grátis!”, o que você pensaria? Você imaginaria que essas roupas ou brinquedos eram usados? Presumiria que eram feios? Se soubesse, contudo, que eles eram bonitos, novinhos em folha, coisas de valor, você correria para conseguir algum, ou você ainda ficaria pensando qual era o truque?   Em nossa sociedade poucas coisas são grátis. Nós temos que comprar comida, roupas, material escolar, provisões para a casa...

NEM TUDO É PRECONCEITO

Por que qualquer divergência que tenhamos em relação a um posicionamento hoje é visto como preconceito?   É exatamente com aqueles que se autodenominam “tolerantes” que vemos o que há de mais rígido em matéria de extremismo e de intolerância. Os mesmos que pregam a tolerância e advogam vivermos numa sociedade pluralista, são tão intolerantes quantos aqueles que acusam.     Temos visto nos últimos anos no Brasil uma tentativa de impor uma mordaça naqueles grupos que insistem em defender posições mais conservadoras, principalmente, no que se diz respeito à fé e a moral.     Ora, não precisamos ser “gênios” para perceber que sempre houve e sempre haverá divergências numa sociedade; visto que essa é uma mão de duas vias, a experiência nos prova que quando um grupo afirma o outro nega.     Tentar impedir um indivíduo de externar suas opiniões ou de exercer o seu direito de discordar, é trazer de volta para história à ditadura,...

O homem não pode salvar-se a si mesmo

 A Bíblia é categórica em afirmar que todos pecaram. 1 Não há justo nenhum sequer. 2 O homem em seu estado natural está cego. 3 perdido. 4 e morto. 5 Ele está escravizado pela carne, pelo mundo e pelo diabo. 6 O homem é concebido em pecado. 7 e não tem poder para livrar-se dele por si mesmo. 8 O pecado atingiu todo o seu ser: mente, corpo e espírito. A não ser que Deus o salve, ele perecerá eternamente. 1 Rm 3:23; 2 Rm 3:10; 3 2 Co 4:4; 4 Lc 19:10; 5 Ef 2:1; 6 Ef 2:2,3; 7 Sl 51:5; 8 Jo 8:34. Fonte:http://hernandesdiaslopes.com.br/2005/10/a-soberania-de-deus-na-salvacao/