John
Stott
Quisera saber se há outra virtude cristã mais
mal compreendida
do que a fé. Comecemos com dois aspectos negativos.
Primeiro, fé não é credulidade.
O americano H.L. Menvhekn, crítico anti-sobrenaturalista do cristianismo, certa vez afirmou que “a fé pode ser definida concisamente como sendo uma crença ilógica na ocorrência do improvável”. Mas Mecken errou: Fé não é credulidade. Ser crédulo é ser ingênuo, completamente desprovido de qualquer crítica, sem discernimento, até mesmo irracional, no que crê. Porém é um grande erro supor que a fé e a razão são incompatíveis. A fé e a visão são postas em oposição, uma à outra, nas Escrituras, mas nunca a fé e a razão. Pelo contrário, a fé verdadeira é essencialmente racional, porque se baseia no caráter e nas promessas de Deus. O crente em Cristo é alguém cuja mente medita e se firma nessas certezas.
O americano H.L. Menvhekn, crítico anti-sobrenaturalista do cristianismo, certa vez afirmou que “a fé pode ser definida concisamente como sendo uma crença ilógica na ocorrência do improvável”. Mas Mecken errou: Fé não é credulidade. Ser crédulo é ser ingênuo, completamente desprovido de qualquer crítica, sem discernimento, até mesmo irracional, no que crê. Porém é um grande erro supor que a fé e a razão são incompatíveis. A fé e a visão são postas em oposição, uma à outra, nas Escrituras, mas nunca a fé e a razão. Pelo contrário, a fé verdadeira é essencialmente racional, porque se baseia no caráter e nas promessas de Deus. O crente em Cristo é alguém cuja mente medita e se firma nessas certezas.
Em segundo lugar, fé não é otimismo.
Nisso é que parece que Normam Vicent Peale se confundiu. Muito do que ele escreveu é certo. Sua convicção básica refere-se ao poder da mente humana. Ele cita William James, que disse que “a maior descoberta desta geração é saber que os homens podem mudar suas vidas alterando suas atitudes mentais” e Ralph Waldo Emerson, “o homem é o que pensa durante todo o dia”. Assim, o Dr. Peale desenvolve sua tese sobre o pensamento positivo, o qual ele acaba por igualar (erradamente) com a fé. O que é precisamente essa “fé pela qual advoga?” Seu primeiro capítulo do livro O Poder do Pensamento Positivo tem o significativo título de “Tenha Confiança em Si Mesmo”. No capítulo 7 (“Espere sempre o Melhor e Consiga-o”) ele faz uma sugestão que garante que dará certo. Leia o Novo Testamento, diz ele, destaque “uma dúzia de conceitos sobre a fé, os que mais gostar”, e procure memorizá-los. Que esses conceitos de fé permeiem sua mente consciente. “Repita-os muitas vezes. Eles se impregnarão em seu subconsciente e esse processo o transformará num crente”. Até que isto parece ser algo promissor. Mas, espere um pouco. Quando a Bíblia se refere ao “escudo da fé”, prossegue ele, ela está ensinando uma “técnica de força espiritual”, a saber, “fé, crença, pensamento positivo, fé na vida. Esta é a essência da técnica que ela ensina”. O Dr. Peale prossegue citando alguns versículos maravilhosos, tais como “se podes! Tudo é possível ao que crê”; “se tiverdes fé...nada vos será impossível”, e “faça-se-vos conforme a vossa fé”. Mas, então ele estraga tudo, ao explicar este último texto da seguinte maneira: “de acordo com a fé que você tiver em si mesmo, em seu emprego, em Deus,é o que terá e não mais do que isso”.
Nisso é que parece que Normam Vicent Peale se confundiu. Muito do que ele escreveu é certo. Sua convicção básica refere-se ao poder da mente humana. Ele cita William James, que disse que “a maior descoberta desta geração é saber que os homens podem mudar suas vidas alterando suas atitudes mentais” e Ralph Waldo Emerson, “o homem é o que pensa durante todo o dia”. Assim, o Dr. Peale desenvolve sua tese sobre o pensamento positivo, o qual ele acaba por igualar (erradamente) com a fé. O que é precisamente essa “fé pela qual advoga?” Seu primeiro capítulo do livro O Poder do Pensamento Positivo tem o significativo título de “Tenha Confiança em Si Mesmo”. No capítulo 7 (“Espere sempre o Melhor e Consiga-o”) ele faz uma sugestão que garante que dará certo. Leia o Novo Testamento, diz ele, destaque “uma dúzia de conceitos sobre a fé, os que mais gostar”, e procure memorizá-los. Que esses conceitos de fé permeiem sua mente consciente. “Repita-os muitas vezes. Eles se impregnarão em seu subconsciente e esse processo o transformará num crente”. Até que isto parece ser algo promissor. Mas, espere um pouco. Quando a Bíblia se refere ao “escudo da fé”, prossegue ele, ela está ensinando uma “técnica de força espiritual”, a saber, “fé, crença, pensamento positivo, fé na vida. Esta é a essência da técnica que ela ensina”. O Dr. Peale prossegue citando alguns versículos maravilhosos, tais como “se podes! Tudo é possível ao que crê”; “se tiverdes fé...nada vos será impossível”, e “faça-se-vos conforme a vossa fé”. Mas, então ele estraga tudo, ao explicar este último texto da seguinte maneira: “de acordo com a fé que você tiver em si mesmo, em seu emprego, em Deus,é o que terá e não mais do que isso”.
Estas citações
bastam para mostrar que o Dr. Peale aparentemente não faz nenhuma distinção entre a fé em Deus e
a fé em si mesmo. De
fato, o que ele demonstra é não se preocupar absolutamente
com o objeto
da fé. Ele recomenda, como parte de seu sistema de acabar com as
preocupações, que a primeira coisa a fazer todas as manhãs,
ao
acordarmos e antes de nos levantarmos, é dizer em voz alta “eu
creio!” três vezes; mas ele não nos diz em que
devemos estar afirmando que
cremos com tanta confiança e insistência. As últimas
palavras de seu
livro são simplesmente “tenha, pois, fé, e viverá feliz”.
Mas fé em
que? Crer em quem? Para o Dr. Peale a fé não passa de mais
uma palavra
para exprimir autoconfiança, ou um exagerado e não fundamentado
otimismo. Ouvi dizer que o Dr. Peale mudou seu ponto-de- vista depois
de
Ter escrito este livro, mas o livro acha-se ainda em circulação,
e
sendo lido. E nesse livro parece estar bem claro que o seu pensamento
positivo é, no fim das contas, meramente um sinônimo para “fé naquilo
que a gente quer que seja verdade”.
O mesmo se pode dizer com relação
ao Sr. W. Clement Stone, o filantropista e fundador de “Atitudes Mentais
Positivas”. “De
simples
homens comuns fazemos super-homens”, diz ele, pois desenvolveu “a
técnica de vendas para acabar com todas as técnicas de vendas”.
Porque"
você pode até mesmo vender-se a si próprio, recitando
da mesma maneira
como fazem os vendedores da AMP todas as manhãs: “estou contente,
tenho
saúde, sou o máximo!”
Mas a fé cristã é bem diferente do “pensamento
positivo” de
Peale e das “atitudes mentais positivas” de Stone. Fé não é otimismo.
Fé é uma
confiança racional, uma confiança
que, em profunda
reflexão e certeza, conta o fato de que Deus é digno de
todo crédito.
Por exemplo, quando Davi e seus homens voltaram a Zicagle, antes
dos
filisteus terem matado Saul na batalha, um terrível espetáculo
os
aguardava. Na sua ausência os amalequitas tinham saqueado a sua
aldeia, incendiando as suas casas e levado cativas as suas mulheres e
crianças.
Davi e seus homens choraram “até não terem mais forças
para chorar” e
então, na sua amargura, o povo cogitou de apedrejar a Davi. Era
uma crise séria e Davi facilmente poderia Ter-se deixado cair
no desespero. Mas, em vez disso, lemos que “Davi se reanimou no
Senhor seu Deus”.
Esta era uma fé verdadeira. Ele não fechou seus olhos aos
fatos. Nem
tentou criar sua própria autoconfiança, ou dizer a si mesmo
que se
sentia realmente muito bem. Não. Ele se lembrou do Senhor seu
Deus, o
Deus da criação, o Deus da aliança, o Deus que prometeu
ser o seu Deus e
colocá-lo no trono de Israel. E à medida em que Davi se
recordava das
promessas e da fidelidade de Deus, sua fé crescia e se fortificava.
Ele
“se reanimou no Senhor seu Deus”.
Assim, pois, a fé e o pensamento caminham juntos, e é impossível
crer sem pensar. CRER É TAMBÉM PENSAR!
O Dr. Lloyd-Jones
deu-nos um excelente exemplo neotestamentario desta verdade no comentário
que fez de Mateus 6:30 em seus Studies in the Sermon on the Mount (Estudos
sobre o Sermão da Montanha): “Ora,
se
Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada
no
forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé”?
A fé, de acordo com o ensinamento do nosso Senhor neste
parágrafo, é basicamente o ato de pensar, e todo o problema
de quem tem
uma fé pequena é não pensar. A pessoa permite que as circunstâncias
lhe
oprimam... temos de dedicar mais tempo ao estudo das lições
de nosso
Senhor sobre a observação e dedução. A Bíblia
está repleta de lógica, e
seja algo meramente místico. Nós não nos sentamos
simplesmente numa
poltrona, permanecendo à espera de que coisas maravilhosas nos
aconteçam. Isso não é fé cristã. A fé cristã é,
em sua essência, o ato
de pensar. Olhem para os pássaros, pensem neles, e façam suas
deduções.
Vejam os campos, vejam os lírios silvestres, considerem essas coisas...
A fé , se quiserem, pode ser definida assim: É insistir em
pensar quando tudo parece estar determinado a nos oprimir e a nos pôr
por terra, intelectualmente falando. O problema com as pessoas de pequena
fé é que elas , ao invés de controlarem seus próprios
pensamentos, os
seus pensamentos é que são controlados por alguma circunstância
e, como
se diz, elas passam a rodar em círculos. Isso é a essência
da
preocupação...Isso não é pensamento; isso é ausência
completa de
pensamento, é não pensar.
Antes de deixar este assunto,
que trata do que compete à mente
na fé cristã, gostaria tão somente de abordar as duas
ordenanças do
Evangelho: o batismo e a ceia do Senhor. Pois ambas são símbolos
cheios
de significado, destinados a trazer bênçãos aos cristãos,
despertando-lhes a fé nas verdades que simbolizam. Consideremos
a ceia do Senhor, por exemplo. Em seu aspecto mais simples, é uma visível
dramatização da morte do Salvador pelos pecadores. É uma
recordação
racional daquele evento. Nossas mentes têm que trabalhar em torno
do seu significado e apropriar-se da certeza que nos oferece. O próprio
Cristo fala-nos através do pão e do vinho. “Morri por
vós”,
diz ele, e
ao recebermos sua palavra, ela deve trazer a paz a nossos corações
culposos.
Desta forma, Thomas Cranmer
escreveu que a ceia do Senhor “foi
ordenada com este propósito, que toda pessoa dela participando,
no comer
e no beber, se lembre de que Cristo morreu a seu favor, e exercite
sua
fé, confortando-se na lembrança dos benefícios
que Cristo lhe
propiciou”.
A segurança
cristã é a
“plena certeza da fé”.
E se a certeza de
corre da fé, a fé decorre do conhecimento,
do seguro conhecimento de
Cristo e do Evangelho. Como o expressou o bispo J.C. Ryle: “Uma
grande
parte de nossas dúvidas e de nossos temores provém
de sombrias
percepções do que seja a real natureza do Evangelho
de Cristo... a raiz
de uma religião feliz é um claro, preciso
e bem definido conhecimento
de Jesus Cristo”.
Fonte: Extraído do livro “Crer é Também
Pensar”, de John R. W. Stott.


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