Está impregnada na mente de muitos a seguinte falácia. Numa
linguagem bem simples pensa-se que:
“Ser conservador é ruim e ser progressista é muito legal”.
Porque?
Por que o conservador é um imobilista, alguém defensor da
estagnação e o progressista defensor do desenvolvimento, aperfeiçoamento e da
superação. (até rimou).
Ocorre que a concepção acima exposta não reproduz a verdade. Por que via de regra quem se intitula conservador defende tudo o que um progressista quer monopolizar. A diferença é que o conservador não deseja um futuro a partir da destruição do passado.
A questão foi bem
colocada por Jorge Boaventura em seu livro “OCIDENTE TRAÍDO – A SOCIEDADE EM
CRISE”:
“...há mudanças e
mudanças; inovações e inovações. Algumas que representam de fato progresso;
outras que, ao contrário, são deformações que, no mundo conflitual em que
vivemos, geralmente não são espontâneas mas planejadas e difundidas, não para
levar ao aperfeiçoamento, mas à decomposição e supressão do sentimento vital
unificador ...”
Em outras palavras, algumas mudanças na sociedade não são espontaneas, elas são de fato planejadas por determinados grupos, com o propósito de fazer prevalecer os seus interesses. E não apenas isso, o propósito é a destruição do padrão cultural até então existente. No fundo, tal progresso, não é outra coisa senão REVOLUÇÃO. Partindo do conceito evolucionista, em que afirmam estar a humanidade em constante evolução, tornou-se comum identificar toda e qualquer novidade como “boa”, como consequência natural da evolução e toda tradição passou a ser vista como expressão de atraso.
Assim como o pacifista
quer passar uma imagem de defensor da paz, como se toda humanidade desejasse
ardentemente a guerra; o chamado “progressista” quer ser visto como o “salvador da
pátria” alguém sem qualquer preconceito e livre das amarras da religião. Que
Engano. Permita-me recorrer novamente as observações de Jorge Boaventura:
“...nem tudo o
que é insólito ou surpreendente é realmente novo e...nem tudo que seja...realmente
novo é necessariamente bom para uma cultura. Portanto, muitos dos que se opõem
a certas inovações, na verdade, podem ser os verdadeiros progressistas, sempre
que sua posição se exercite, não em defesa do imobilismo impossível, mas
contra desfigurações que visam, menos ao enriquecimento a ao progresso real da
cultura a que pertencem, do que à sua deformação e decadência.”
Pois, bem o verdadeiro progresso, só é realmente progresso
quando se propõe a trazer enriquecimento a uma determinada cultura e nunca a
destruição dela.
Aldair Ramos Rios
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