Quando vim para Cristo, pensei que eu mesmo tivesse tomado a iniciativa e, embora buscasse o Senhor com diligência, não fazia nem idéia de que o Senhor estivesse me buscando. Não me parece que o novo convertido perceba isso de saída. Posso recordar o dia e a hora exatos em que pela primeira vez acolhi essas verdades [acerca da doutrina da eleição] em minha alma ―quando elas, como dizia John Bunyan, entraram queimando em meu coração como um ferro incandescente―, e posso lembrar que cresci repentinamente, deixando de ser um bebê para me tornar um homem ―cresci no meu conhecimento das Escrituras, tendo encontrado, de uma vez por todas, a chave da verdade de Deus.
Certa noite, no meio da semana, sentado na casa de Deus, lá estava eu, sem prestar muita atenção ao sermão pregado, uma vez que não cria no que estava sendo dito. Fui então assaltado pelo seguinte pensamento:
― O que o levou a se tornar cristão?
― Busquei ao Senhor.
― Mas o que o levou a buscar ao Senhor?
Num instante a verdade brilhou em minha mente: jamais o teria buscado caso não tivesse havido previamente algum tipo de influência sobre minha mente que me
fizesse buscá-lo.
― Orei ― foi o que pensei.
Mas então me perguntei:
― O que me levou a orar?
― Fui induzido a orar por meio da leitura das Escrituras.
― O que me levou a ler as Escrituras?
Realmente eu li, mas o que me levou a fazê-lo? Então, num instante, percebi que Deus subjazia a tudo aquilo, e era o Autor de minha fé.
Assim a doutrina da graça se tornou clara para mim, e dessa doutrina não me afastei até o dia de hoje, desejando que seja sempre esta minha confissão:
“Atribuo minha transformação inteiramente a Deus”
(Verdades chamadas calvinistas, São Paulo, PES; tradução não-publicada feita por Fabiano Medeiros diretamente da citação feita por C. J. Mahaney em seu Sovereign grace and the glorious mystery of election [Graça soberana e o glorioso mistério da eleição]).
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