Pular para o conteúdo principal

O "EVANGELHO": SUA AUTORIDADE, O PORQUÊ, COMO E COM QUE PROPÓSITO FOI ESCRITA.


Depois da Lei, vem o Evangelho; o uso e a necessidade dele serão melhor entendidos analisando os pontos abaixo:

Primeiramente, assim como existe somente um Salvador (Mt. 1:21; At. 4;12; 1Tm. 2:5), há também somente uma doutrina da salvação que é chamada de Evangelho, melhor dizendo, Boas Novas (Rm. 1:16). Foi anunciada e declarada ao mundo por Jesus Cristo de forma completa (Jo. 15:15) e pelos apóstolos (Jo. 17:8; 2 Co. 5:19,20), e fielmente testemunhada pelos evangelistas (Ef. 2:20; 1 Pd. 1:25) para prevenir do engano e astúcia de Satanás, que sem isto, colocaria diante dos homens mais facilmente seus próprios sonhos, sob o nome do evangelho; entretanto, ele não falhou inteiramente em fazê-lo, pela justa vingança de Deus que tem sido provocado a ira contra o homem, que, em sua maneira habitual, prefere sempre as trevas ao invés da luz. E quando dizemos que os apóstolos e evangelistas testemunharam fielmente toda a doutrina do evangelho, entendemos com isso, três pontos:

Eles não adicionaram nada deles mesmos no que diz respeito a substância da doutrina (Cl.1:28; 2 Tm. 3:16,17), mas obedeceram com precisão e simplicidade o que Deus lhes disse: "Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado"(Mt. 28:20); e o apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios, professa que assim ele faz (1 Co. 11:23).

Eles não omitiram nada que seja necessário à salvação; pois, de outro modo, teriam sido desleais com a sua comissão, o que não é possível. Também vemos o apóstolo Paulo (At. 20:27; Gl. 1:9) e o apóstolo Pedro (1 Pd. 1:25) testificarem quão conscienciosos e específicos eles foram a este respeito (Jo. 15:15; 16:13). Daí porque, Jerônimo, escrevendo sobre este assunto, diz, "o discurso pronunciado de forma ininteligível, através de sons rápidos e inarticulados, não deve ser acreditado sem a autoridade da Santa Escritura". E Agostinho fala ainda mais claramente "É verdade que o Senhor Jesus fez muitas coisas que não foram escritas, pois o próprio evangelistas testifica que Ele disse e fez muito mais do que foi escrito. Mas Deus escolheu registrar aquelas coisas que são suficientes para a salvação daqueles que crêem" (Jo. 20:30,31).

Aquilo que eles escreveram, foi escrito de tal forma que a pessoa mais inculta e ignorante do mundo, pode aprender lá o que é necessário para sua salvação, desde que confrontada (1 Co. 1:26,27), de outra maneira, porque o Evangelho foi escrito numa linguagem que todos podem entender (1 Co. 14:6-40), e no idioma mais familiar e popular possível (1 Co. 2:1). Daí porque Paulo diz que se o Evangelho está oculto, está para aqueles que se perdem e para os que o deus deste mundo cegou, ou melhor dizendo, para os incrédulos (2 Co. 4:3). E, de fato, a experiência de todas as épocas tem mostrado que Deus não chamou os mais sábios e cultos, mas, pelo contrário, os mais ignorantes do mundo (Is.29:14; Lc.10:21; 1 Co.1:26, 27; 3:18). Portanto, dizer que Deus desejou esconder ou encobrir Sua doutrina de forma que ninguém pudesse entender, está longe da verdade.

Chegamos então a duas conclusões, a partir deste raciocínio, que são úteis para o que estamos tratando:

A primeira é que não é necessário reconhecer como Evangelho, qualquer coisa adicionada pelo homem à Palavra escrita de Deus, ou melhor dizendo, às doutrinas contidas nos livros do Velho e Novo Testamento; mas que todas as adições são meras superstições e corrupções do único e verdadeiro Evangelho de nosso Senhor (Mt. 15:9). Paulo fala sobre isto em Gl. 1:8,9; 2 Tm. 3:16,17 e Jerônimo escreveu sobre este assunto " O que é dito sem a autoridade da Santa Escritura, é também, do mesmo modo, facilmente deixado de lado".

A segunda conclusão é que aqueles que dizem que somente algumas pessoas são autorizadas a ler as Escrituras e, por esta razão, não a querem traduzida para os idiomas falados por temer que mulheres simples e outras pessoas possam lê-la (Rm. 1:14; Gl. 3:28; Mt. 11:28), são os verdadeiros anticristos e instrumentos de Satanás (Mt. 23:13); eles tem medo de que seus abusos sejam descobertos pela chegada da luz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NÃO FAÇA CONFUSÃO: LIVRE EXAME, NÃO É LIVRE INTERPRETAÇÃO

Geralmente quando saímos em defesa da confessionalidade, somos frequentemente mal compreendidos. E lá vem a voz do “crente biblicista”, com a seguinte argumentação: – Só leio a Bíblia.A questão não é se você lê a Bíblia (por que isso é obrigação de todo crente), mas como você lê? Vamos esclarecer? Defender a confessionalidade não é discutir a autoridade bíblica, mesmo por que, partimos da AFIRMAÇÃO que a Escritura Sagrada sempre será nossa única regra de fé e prática. O que queremos dizer com isso é que seria impossível ler as Sagradas Escrituras sem pressupostos interpretativos e teológicos. No texto de Davi Charles Gomes, postado no site Coram Deo¹, encontramos a seguinte constatação. Toda interpretação (toda "leitura") parte de pressupostos, de uma experiência pessoal, de uma história; ela nunca é uma leitura "neutra", destituída de preconceitos e outros antecedentes. Basta lembrar que a própria língua de cada povo já estabelece limit...

NEM TUDO É PRECONCEITO

Por que qualquer divergência que tenhamos em relação a um posicionamento hoje é visto como preconceito?   É exatamente com aqueles que se autodenominam “tolerantes” que vemos o que há de mais rígido em matéria de extremismo e de intolerância. Os mesmos que pregam a tolerância e advogam vivermos numa sociedade pluralista, são tão intolerantes quantos aqueles que acusam.     Temos visto nos últimos anos no Brasil uma tentativa de impor uma mordaça naqueles grupos que insistem em defender posições mais conservadoras, principalmente, no que se diz respeito à fé e a moral.     Ora, não precisamos ser “gênios” para perceber que sempre houve e sempre haverá divergências numa sociedade; visto que essa é uma mão de duas vias, a experiência nos prova que quando um grupo afirma o outro nega.     Tentar impedir um indivíduo de externar suas opiniões ou de exercer o seu direito de discordar, é trazer de volta para história à ditadura,...

A SABEDORIA DE DEUS

A SABEDORIA DE DEUS   Atributo intelectual de Deus. Aspecto particular do conhecimento divino. A sabedoria é o conhecimento intuitivo aplicado.   Em Deus a sabedoria é infinita. CARACTERISTICAS É essencial em Deus   Não pode ser separado de Deus, nem foi acrescido ou veio a lhe pertencer É originária em Deus – Rm 11.34, Is 40.14. É propriedade de Deus e ele pode concedê-la a outros. É necessária em Deus – Rm 16.27. É incompreensível – Sl 147.5, Sl 92.5, Rm 1.33, Jó 11.5-9.   É eterna – Pv 8.22-31; Jó 12.12,13.   REVELAÇÃO DA SABEDORIA          É revelada em Cristo - Cl 2.1-3.       É proclamada através da Igreja – Ef 3.8-13.   EVIDÊNCIAS DA SABEDORIA Criação – Sl 104,24, Pv 3.19, Jr 10.12, Jr 51.15, Pv 8.22-36.   seres humanos – Pv 2 e 3.   SEM A SABEDORIA   Outras virtudes de Deus seriam sem brilho Deus não poderia governar o universo – Jó 12.13-16, Dn ...