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SUFICIÊNCIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

Por: Aldair Ramos Rios

Sobre aqueles primeiros anos de história da igreja, temos o registro do livro de Atos dos apóstolos, Lucas é seu autor; o médico do qual Paulo fala várias vezes nas suas cartas e que o acompanhara em suas viagens; era um cidadão de Antioquia, um homem culto, acostumado a refletir, estudioso, e que procurou recolher muitas informações, ouvindo várias testemunhas.

Questionemos pois então:

Nós que estamos séculos distantes, daqueles que receberam de viva voz a revelação do evangelho,

que certeza teríamos, da mensagem evangélica pregada por eles, se não houvesse registros?

Como a mensagem seria anunciada de forma fidedigna e a Cristandade perpetuada ?

A Escritura é o registro mais antigo da Igreja, é uma dádiva concedida pelo próprio Deus.

No inicio do livro de Atos, Lucas faz a seguinte declaração: "Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, Até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;" (Atos 1:1,2)
Segundo Lucas, Jesus havia dado mandamentos pelo Espírito Santo, aos apóstolos.

Ora quem mais poderia escrever de forma fidedigna a mensagem do evangelho, se não aqueles que receberam do próprio Senhor a mensagem?

Ele nos conta, que os cristãos primitivos "perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. "(Atos 2:42) .
Paulo exortando aos tessalonicenses, diz: "...estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa."(2 Tessalonicenses 2:15).
Questionemos, pois então, o que seria a tal "doutrina dos apóstolos? E Que "tradição" seria essa, se não o ensino do evangelho?.

Falar de Jesus impulsionava aqueles homens, que abandonaram tudo para propagar o Evangelho da graça de Deus.
 
"... não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido." (Atos 14:20). Disseram - Pedro e João.
Não era essa mais uma mensagem, era de fato as "Boas Novas". Sendo ela tão poderosa e benéfica para as almas, qual seria, pois o conteúdo desta mensagem?

Paulo, o apóstolo, (aquele que antes foi perseguidor dos discípulos deste caminho, até o dia em que foi achado por Cristo e tornou-se um deste mesmo caminho que antes perseguia). Este quando escreveu a sua primeira carta aos corintios, foi enfático ao revelar qual foi o conteúdo da sua mensagem entre eles.
 
"E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus" (1 Co 1:1-5)
 
Pedro em sua pregação na casa de Cornélio diz que a ordem de Jesus foi que testificassem dele:
 
"E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos." (Atos 10:42)
 
Os apóstolos nada ensinaram, além do Evangelho.

E aqui vai uma observação muito importante de John Stott, sobre o apostolado e sua legitimidade:
 
"Jesus os designou apóstolos, ou "enviados". Precisamos recordar o pano de fundo duplo dessa palavra. No Antigo Testamento os "enviados" eram profetas. Como Javé havia enviado seus profetas, Jesus agora estava enviando seus apóstolos. No judaísmo rabínico o "enviado" era o shaliach, que era enviado pelo Sinédrio para ensinar. A respeito dele, dizia-se que "o enviado por uma pessoa é essa própria pessoa". Ou seja, ele carrega com ele a autoridade de quem o enviou. É nesse sentido que Jesus mais tarde pôde dizer aos doze: "Quem recebe vocês, recebe a mim" (Mt 10.40) e "Aquele que lhes dá ouvidos, está me dando ouvidos" (Lc 10.16).

A fim de equipar seus apóstolos para falar em seu nome, Jesus os indicou para "que estivessem com ele" como testemunhas oculares, ouvindo suas palavras e vendo suas obras, para que pudessem dar testemunho daquilo que haviam visto e ouvido (Mc 3.14; veja também Jo 15.27). Essas implicações do apostolado têm uma importante conformidade com os escritos do Novo Testamento." (Retirado de A Bíblia Toda, O Ano Todo, Editora Ultimato, 2007)

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