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A Igreja Vive em Pecado V


Por razões de natureza doutrinária na redação dos Credos (inclusive de natureza linguística) tivemos os cismas dos Nestorianos e dos Pré-Calcedônicos. A pretenção do Bispo de Roma (até então apenas com um primado de honra) em querer ser o Chefe de toda a Igreja (quando as Dioceses eram autônomas e os patriarcados autocéfalos), resultou no Grande Cisma entre Ocidente e Oriente, no fundo resultado da divisão do Império Romano entre Roma e Constantinopla, a cultura latina e a cultura grega. Lamentavelmente, a Igreja Bizantina reagiu antiteticamente, pretendendo ser ela, e não Roma a verdadeira Igreja. E assim passamos a ter, pelos quinze séculos seguintes esses quatro ramos, além dos Uniatas, que foram Orientais que reconheceram o Primado de Roma.
Ate a época da Reforma ninguém usava a expressão Igreja Local para uma comunidade localizada ou Paróquia. Todos chamavam a Diocese de Igreja Local. Roma chamava as Igrejas de cada país de Igrejas Particulares, e os Ortodoxos Orientais (Bizantinos) elaboraram uma eclesiologia em que as Igreja Nacionais eram um perfeito microcosmo da Igreja Universal (Católica), tanto Triunfante (os santos mortos), quanto Militante (os santos vivos), e as denominava de Igrejas Locais. Foi nesse sentido que Cranmer usou o termo nos 39 Artigos de Religião, e não no sentido posteriormente elaborado por anabatistas e congregacionalistas (então desconhecido), e hoje disseminado e popularizado.
O anabatismo e o congregacionalismo elaboraram nos séculos XVI e XVII uma eclesiologia localista e minimalista, em que tomara textos descritivos do Novo Testamento e fizeram uma releitura normativa, com um visão burguesa e uma dinâmica baseada nas regras do Parlamento de Westminster. Com uma fortíssima Influência neo-platônica, dividiram a igreja em invisível (sagrada, boa) e visível (humana, má), entre a bondade da comunidade e a humanidade caída da instituição, eliminando-se toda a visão anterior e as esferas além-locais. Um conjunto dessas agora igrejas-locais se davam um nome, se denominavam de tal ou qual maneira = denominações.
Depois do localismo-minimalismo, tivemos, a partir do Século XIX, além da proliferação de tais denominações, uma completa dessacralização (secularização) da Igreja como instituição (inclusive de suas estruturas e de seus líderes), reduzida a um ente social como outro qualquer (sindicato, partido, clube, etc.).
O resultado foi a bagunça geral que chegamos em nossos dias… numa boa, sem stress...
Olha-se o século primeiro sob óticas dos séculos dezesseis, dezessete, vinte e vinte um, e da sua conveniência para uma cultura individualista, e onde a seriedade institucional do protestantismo vai dando lugar ao culto às personalidades, às "monarquias" e suas "famílias reais".
É uma situação patológica, uma igreja enferma, que se auto-engana (como portador de câncer de pulmão que afirma estar apenas resfriado...).
A Igreja vive em pecado, e não dá o mínimo sinal de arrependimento.
Que o Senhor tenha misericórdia de nós!
Esperemos contra toda (des)esperança!
Cremos na Igreja, mistério, sinal visível e vanguarda do Reino!
 

Robinson Cavalcanti

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