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A Igreja Vive em Pecado III

 
O primeiro século do Protestantismo no Brasil ainda foi marcado pela era de uma relativa “sobriedade” quanto ao divisionismo. Somando-se os grupos migratórios e os missionários, de 1810 (Tratado de Livre Navegação e Comércio) a 1910, se estabeleceram aqui as seguintes “denominações”:
1. Luteranos;
2. Congregacionais;
3. Presbiterianos;
4. Batistas;
5. Metodistas;
6. Anglicanos/Episcopais. Tivemos a criação, pelos irmãos presbiterianos Vieira Ferreira da autóctone e proto-pentecostal
(7) Igreja Evangélica Brasileira.
8. Igreja Cristã Evangélica (congregacionais imersionistas), em 1901, e, finalmente, o cisma (nacionalismo/questão maçônica), que fez surgir, em 1903, a
(9) Igreja Presbiteriana Independente (IPI). A primeira metade do segundo século (1910-1960) foi marcada pela chegada do Pentecostalismo:
(10) Congregação Cristã no Brasil e
(11) Assembleia de Deus. Na década de 1930, uma dissidência da Assembleia de Deus, no Nordeste, cria a
(12) Igreja de Cristo, e uma dissidência da IPI, em São Paulo, cria a
(13) Igreja Presbiteriana Conservadora (IPC). No pós-segunda Guerra Mundial, os ecos das lutas forâneas entre ecumenismo (agora hegemonizada pelos liberais) do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundamentalismo do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (CIIC) e evangelicalismo da Fraternidade Evangélica Mundial (WEF) têm um rebatimento também aqui, com a criação, no Nordeste, da
(14) Igreja Presbiteriana Fundamentalista (IPF). O fundamentalismo igualmente nos chega com os
(15) Batistas Regulares. Também no Nordeste, uma ala da Assembleia adere ao Calvinismo, e cria a
(16) Igreja Pentecostal Assembleia de Deus. No meio Pentecostal, aporta aqui a Cruzada Nacional de Evangelização, com a
(17) Igreja do Evangelho Quadrangular, surge, de dissidentes dessa e da Assembleia de Deus, a partir do Estado de São Paulo, a nativa
(18) Igreja Evangélica Pentecostal “O Brasil para Cristo”.
De agora em diante, não dá mais para contar. A segunda metade do segundo século da presença protestante no Brasil (1960-2010) vai ser marcada por uma aceleração desenfreada do divisionismo denominacionalista. Primeiro com o chamado “Movimento de Renovação Espiritual”, de tendência pentecostal, que racha as principais e mais antigas denominações históricas (batistas, presbiterianos (IPB e IPI), congregacionais, metodistas e luteranos), gerando, inicialmente, a Convenção Batista Nacional (CBN), a Igreja Presbiteriana Renovada (IPR), a Aliança das Igrejas Congregacionais do Brasil (AICB), a Igreja Metodista Wesleyana (IMW), e a Igreja Luterana Renovada (ILR). Daí em diante esses grupos sofreram subdivisões, e começa a “criatividade brasileira”, com uma miríade de “denominações” pentecostais “made in aqui mesmo”, com os nomes mais “originais”, para dizer o mínimo. Por último, com a Teologia da Prosperidade e a Teologia da Batalha Espiritual “amorenadas”, nos vem o crescente fenômeno do neo(pseudo)pentecostalismo: Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD), Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), e um número avassalador de divisões e subdivisões.
A Igreja Romana conhecera os cismas da Igreja Brasileira (ICAB) e da Igreja Livre (hoje com o remanescente dito Independente), e daí não parou mais de surgir cismas “católicos” em cada esquina. Os Vétero-Católicos, que nunca vieram para o Brasil, olham espantados da Europa a quantidade de grupos que usam essa denominação entre nós. Os Adventistas do Sétimo Dia, além do cisma dos extremados Adventistas da Reforma, viram surgir o nativo e pentecostalizante Adventistas da Promessa. Até os Luteranos/Episcopais também começam a ver surgir grupos “continuantes”, “de convergência”, ou “independentes” (os anglicanos usam o termo “jurisdições” e não “denominações”), algumas formadas por quem nunca pos os pés em uma Igreja Anglicana. E aí nos vem o “movimento apostólico”, com seus apóstolos e apóstolas, o G-12, o M-12, além da importação de movimentos, métodos e macetes que o Tio Sam é pródigo em criar e exportar. Começam a surgir as combinações dentro da cultura “self-service” pós-moderna, como a Igreja Batista Renovada do Sétimo Dia ou a Assembleia do Reino de Deus. De 1989, para cá, após o caso do racha da Convenção de Madureira, afirma-se que houve mais de 100 cismas de Convenções e Ministérios da Assembleia de Deus.
Bem dizia Pero Vaz de Caminha, autor da primeira carta a El-Rei de Portugal, que em nossas terras “em se plantando tudo dá”, especialmente “denominações” de um Cristianismo dilacerado, animado pela “criatividade”, e se auto-enganando com o pensamento “pelo menos o evangelho está sendo pregado!”. Que “evangelho”, cara pálida!!?
 
Robinson Cavalcanti

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