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Eu preciso de amigos



Meus amigos são um bem precioso em minha vida. Sem eles tudo ficaria muito difícil.

Quando penso o quanto eles já me ajudaram...

Foi um bom amigo que me indicou para trabalhar em Brasília, e aqui estou até hoje - após 21 anos. Foi um bom amigo que orou por mim, quando eu me encontrava na mais profunda tristeza, e me fez relembrar o grande amor de Deus. Também foi um bom amigo que passando por aqui fez questão de me encontrar.

Meus amigos (os verdadeiros; é deles que eu falo) não fingem que gostam de mim; antes, se incomodam com a minha ausência, intercedem junto a Deus por minha vida e não se dão por satisfeitos enquanto não me encontram.

Saber disso me faz acreditar que quem tem verdadeiros amigos precisa de pouca coisa a mais.

Com os meus amigos eu fico à vontade pra compartilhar meus sonhos. O último agora é comprar com dois deles um pequeno sítio, onde construiremos três chalés e lá moraremos dois ou três dias da semana. Ali receberemos nossos netos. O curioso é que nenhum de nossos filhos ainda se casou, sendo que alguns deles nem estão namorando, e nem temos dinheiro no momento pra tamanha façanha. Mas sonhamos juntos. Sonhamos e rimos em volta de uma mesa amorosa, de onde saem projetos de uma vida cheia de esperança.

O mar, contudo, não está pra peixe. Por isso, ninguém quer ser amigo de ninguém. Temos muitos colegas de trabalho, muitos conhecidos, muitos vizinhos, muitos parentes, muitos irmãos na igreja, mas amigos...

Amigos são poucos...

As igrejas estão cheias de irmãos e vazias de amigos. Nelas, todos nos confessamos irmãos em Cristo, mas, de um modo geral, não nos comportamos como bons amigos. Por isso, durante os cultos, quando é dada a oportunidade de compartilhar algo da própria vida, o silêncio impera. Não deveria ser o contrário? Nessas horas não deveria haver dificuldade em se ouvir as pessoas, diante do entusiasmo de cada um em contar a sua própria história? Seu milagre pessoal?


Sinceramente? Isso não acontece porque não somos amigos uns dos outros, conquanto nos vejamos como irmãos. Ninguém se expõe diante de gente estranha, mesmo quando todos se dizem irmãos em Cristo. A Palavra de Deus me diz que há “amigo mais chegado que irmão” (Prov. 18:24), o que me faz concluir que é possível encontrar um irmão no amigo, mas nem sempre é possível encontrar o amigo no irmão.

Um dia desses vi a foto de uma pessoa com quem convivi por uns dois anos, ainda que superficialmente, no início dos anos 90. Passaram-se 20 anos e agora eu estava diante de sua fotografia. Fiquei pasmo! Se não me falassem que aquele sujeito da fotografia era aquela pessoa que conheci há 20 anos, não o reconheceria de forma alguma. Sabe por que? Porque não éramos amigos, só conhecidos freqüentando a mesma igreja.

Mas isso não acontece com quem mantive uma relação mais profunda e duradoura, com quem travei uma boa amizade, com quem permiti que o amor fluísse na relação. Com estes, 20 ou 30 anos se passam e ainda assim não nos achamos estranhos. Mesmo depois de termos perdido boa parte do cabelo ou engordado (só um pouquinho), ou ainda “pintado” a barba de branco. Mesmo assim nos reconhecemos, pois o amor ficou gravado, não nas feições do corpo, mas na alma de cada um. É como um código secreto que nos faz lembrar da pessoa pelo que ela era (e é), apesar das mudanças físicas. Eu mesmo fico impressionado quando alguns dos meus amigos me reconhecem depois de tanto tempo sem nos encontrar. Eu praticamente me tornei outra pessoa, fisicamente, conquanto o meu coração ainda seja o mesmo.

Meus amigos...

Problemas não faltam em minha vida, mas vivo feliz, porque tenho amigos verdadeiros. Por meio deles Deus me declara o seu amor. Por meio deles percebo o quanto a vida pode ser vivida com ânimo e alma tranqüila. Por meio deles Deus me supre com Sua graça.

Com bons amigos vou longe.

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