Por isso, a busca monástica por humildade não faz nenhum sentido. O caminho da humildade não vai de fora para dentro, mas de dentro para fora. Não podemos apresentar nossa humildade (“nulidade”) como mérito diante de Deus. Humildade é a renúncia consciente a todas as qualidades humanas com as quais poderíamos argumentar. Neste sentido, a humildade tem que preceder à fé, pertence ao alicerce crítico da fé. Justificação pela fé só poderá acontecer onde houver sido posto este alicerce. Neste sentido, humildade, tal como a fé, não é uma virtude. É a renúncia de toda virtude; é saber que não podemos subsistir perante Deus com nossa virtude. “Humildade nada mais é do que o auto-reconhecimento perfeito, que encerra a fé justificante.”9 Este conceito luterano de humildade não se compara em nada ao sentido católico-sinergista.
Todo sinergismo está excluído. Por conseguinte, Lutero conta a cruz e o sofrimento entre os sinais particulares da igreja (nota ecclesiae). Faz parte da natureza da igreja encontrar-se ela no sofrimento; uma igreja da qual não se pode afirmar isso é uma igreja que se tornou infiel à sua destinação. A Igreja pode ser seduzida pela teologia da glória e se transformar em uma religião de boas obras e análises dos desempenhos dos fiéis. Lutero usou, portanto, a idéia de uma forma sofredora da igreja criticamente contra o papado e para julgamento da história da igreja. O Cristo morto e ressurreto está trabalhando em meio à fraqueza da Igreja, preparando-a para mostrar a sua força. De modo similar, o Cristo morto e ressurreto “julga a Igreja onde ela se tornou orgulhosa e triunfante, ou segura e presunçosa, e a chama para voltar ao pé da cruz, onde lembra da maneira misteriosa e secreta que Deus trabalha no mundo”. A teologia da cruz conhece a Deus no próprio lugar onde Ele se ocultou – na cruz, com os seus sofrimentos, todos eles considerados fraqueza e loucura pela teologia da glória. Deus é conhecido e compreendido não na força, mas na fraqueza, não numa demonstração impressionante de majestade e poder, mas na exibição de um amor que se dispõe a sofrer a fim de converter o homem para si: “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça” (Rm 3.24-25). No momento em que a proclamação eclesial deixa de ser uma pedra de tropeço para o povo, isto é sinal de que ela traiu o evangelho. No escândalo, porém, é que está o “poder do evangelho”. A adoração ou pregação que faz as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas, ou satisfeitas com suas palavras e pensamentos arrogantes sobre Deus, é uma adoração da glória que condena nossa alma e nos separa de Deus. Quando a igreja perde sua cruz, “trocando- a pelo aplauso desta era ou a medida de sucesso deste mundo, acaba se deparando com um futuro pouco promissor”, escreve Shaw.
A cruz de Cristo continua sendo ofensiva, como foi na época em que os primeiros cristãos começaram a falar dela como o caminho de Deus para a salvação. E nossa função, como a de João Batista, é apontar para Jesus Cristo crucificado – “Olhem o cordeiro de Deus!” E hoje, nesta era antropocêntrica e narcisista, a Igreja deve prosseguir dizendo ao homem: A si mesmo se negue, e dia a dia tome a sua cruz, e siga a Cristo.
Fonte: http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=222
Todo sinergismo está excluído. Por conseguinte, Lutero conta a cruz e o sofrimento entre os sinais particulares da igreja (nota ecclesiae). Faz parte da natureza da igreja encontrar-se ela no sofrimento; uma igreja da qual não se pode afirmar isso é uma igreja que se tornou infiel à sua destinação. A Igreja pode ser seduzida pela teologia da glória e se transformar em uma religião de boas obras e análises dos desempenhos dos fiéis. Lutero usou, portanto, a idéia de uma forma sofredora da igreja criticamente contra o papado e para julgamento da história da igreja. O Cristo morto e ressurreto está trabalhando em meio à fraqueza da Igreja, preparando-a para mostrar a sua força. De modo similar, o Cristo morto e ressurreto “julga a Igreja onde ela se tornou orgulhosa e triunfante, ou segura e presunçosa, e a chama para voltar ao pé da cruz, onde lembra da maneira misteriosa e secreta que Deus trabalha no mundo”. A teologia da cruz conhece a Deus no próprio lugar onde Ele se ocultou – na cruz, com os seus sofrimentos, todos eles considerados fraqueza e loucura pela teologia da glória. Deus é conhecido e compreendido não na força, mas na fraqueza, não numa demonstração impressionante de majestade e poder, mas na exibição de um amor que se dispõe a sofrer a fim de converter o homem para si: “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça” (Rm 3.24-25). No momento em que a proclamação eclesial deixa de ser uma pedra de tropeço para o povo, isto é sinal de que ela traiu o evangelho. No escândalo, porém, é que está o “poder do evangelho”. A adoração ou pregação que faz as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas, ou satisfeitas com suas palavras e pensamentos arrogantes sobre Deus, é uma adoração da glória que condena nossa alma e nos separa de Deus. Quando a igreja perde sua cruz, “trocando- a pelo aplauso desta era ou a medida de sucesso deste mundo, acaba se deparando com um futuro pouco promissor”, escreve Shaw.
A cruz de Cristo continua sendo ofensiva, como foi na época em que os primeiros cristãos começaram a falar dela como o caminho de Deus para a salvação. E nossa função, como a de João Batista, é apontar para Jesus Cristo crucificado – “Olhem o cordeiro de Deus!” E hoje, nesta era antropocêntrica e narcisista, a Igreja deve prosseguir dizendo ao homem: A si mesmo se negue, e dia a dia tome a sua cruz, e siga a Cristo.
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