Para concluir, destacamos então que o pensamento cristão precisa partir, antes de tudo, do “autoconhecimento”, que é fruto do conhecimento de Deus. Isso significa que devemos ver a nós mesmos do ponto de vista de Deus, e isso só pode ser feito pela fé. A partir desse ponto de vista, compreendemos que o pensamento é algo bom, mas que não deve ser posto à frente das outras funções, mas cooperar com elas. Isso inclui a própria fé.
Além disso o cristão precisa praticar a antítese, suspeitando e criticando o pensamento secular. Mas não se pode parar na antítese: é preciso prosseguir em direção à “Reforma”, transformando e absorvendo o produto cultural a partir da fé. Assim uma reflexão cristã precisa ser Teocêntrica (ou teonômica), Antitética e Reformacional.
Seria possível resumir essas três atitudes básicas numa única expressão? Eu acredito que a fórmula que melhor expressa tudo isso é aquela usada por Agostinho, Anselmo e vários outros pensadores cristãos: “Fides quaerens Intellectum”: A Fé em Busca de Compreensão”.
Mas há uma palavra, bastante utilizada nos últimos anos, que também expressa de modo objetivo a nossa posição: a palavra “pressuposicionalismo”. A forma cristã de pensar que defendemos pode ser descrita como “pensamento pressuposicional”, porque se caracteriza pelo reconhecimento da influência decisiva que as pressuposições religiosas tem sobre o nosso pensar. Pensar pressuposicionalmente é assumir a verdade do evangelho e enfrentar com seriedade, mas também com fé os desafios do pensamento.
Fonte:
Existe uma “forma Cristã” de Pensar?
A Idéia de uma Reflexão Cristã na Tradição Reformacional
Guilherme V. R. Carvalho[1]
(Artigo Publicado na RTPC, ano 6, no 23, Julho/Dez 2005)
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